Infelizmente, em 26 de
abril, faleceu outra lenda dos quadrinhos, Gerry Conway, aos 73 anos, de câncer
de pâncreas. Conway foi um dos mais prolíficos escritores das HQs nos anos 70 e
80 e um dos mais importantes para a indústria.
Nascido em 10 de setembro
de 1952 no Brooklyn, em Nova York, Conway desde a infância era um aficionado
por quadrinhos e entrou na indústria ainda adolescente, aos 16 anos, em uma
história curta para a revista House of Secrets (Mansão dos Segredos) da
DC. Após escrever para alguns títulos da DC, não tardou para chamar a atenção
de Roy Thomas, que o trouxe para a Marvel.
Não tardou para que
Conway assumisse os roteiros de Amazing Spider-Man, logo após a saída de
Stan Lee. No entanto, o que parecia um sonho de adolescente se transformou em
frustação, pois Lee tratava Conway com bastante desdém. Isso foi causando uma
revolta e um raiva no jovem escritor, que culminou com a história em que Gwen Stacy
foi assassinada pelo Duende Verde em Amazing Spider-Man no
121. Gwen era inspirada na esposa de Lee, Joan.
A despeito do que dizem,
Lee não ligou muito para a morte de Gwen na HQ de início, pois estava
preocupado com a Marvel como empresa. Porém, ao notar a comoção dos leitores, expressou
seu desagrado para Conway. Dessa forma, ele foi obrigado a meio que trazer Gwen
de volta, mesmo que como o clone, que foi o que ocorreu na saga original do clone
dos anos 70. Entretanto, sob os roteiros de Conway, o romance entre Peter e
Mary Jane desenvolveu-se, e a personagem mudou de personalidade, de uma garota
vulgar e festeira para uma jovem mais madura, ainda que extrovertida.
Conway também foi o responsável
pela criação do Justiceiro, que surgiu como coadjuvante em Amazing
Spider-Man no 129. Essa também foi outra alfinetada em
Lee, pois ele não gostava de personagens violentos. Uma das regras da Marvel em
seu início era que os heróis não deveriam nunca matar. No entanto, Conway criou
um anti-herói e assassino. Inclusive, a ideia era que o nome do personagem
fosse o “Assassino”, e não “Punisher” (Justiceiro), porém Lee e Roy Thomas julgaram
o nome muito agressivo.
Paradoxalmente, recentemente,
Conway passou a pagar pedágio para o politicamente correto e renegou sua maior
criação, em razão de o símbolo do Justiceiro estar sendo usado em camisas de
policiais. Ele até incentivou uma campanha para a confecção de camisas com um
novo símbolo da caveira do personagem. Apesar de Conway ter criados vários
outros personagens, sem dúvida o mais famoso é Frank Castle, o Justiceiro,
porque é um personagem que furou a bolha nerd de quadrinhos, ganhando
três filmes (com Dolph Lundgren, Thomas Jane e Ray Stevenson), fora a série com
Jon Bernthal.






Vale dizer que Conway
criou alguns vilões do Aranha, ainda que não sejam vilões de primeira categoria,
classe B para baixo. Entre eles, podemos destacar o Chacal, o Tarântula, Urso e
Ciclone. Ele também criou o Lápide, mas mais tardiamente, quando voltou a
escrever o Aranha, no final dos anos 80. Coube a Conway escrever o roteiro do
primeiro crossover do Superman e do Aranha em 1976, que também foi o
primeiro crossover Marvel e DC.
Outro personagem que
merece destaque que Conway criou foi o Homem-Coisa em 1971, o “Monstro do Pântano”
da DC. Apesar de também ser um personagem de quarto escalão da Marvel. Ele surgiu
no mesmo ano do Monstro do Pântano, e a história que dizem é que Conway e Len
Wein dividiam um apartamento e influenciaram-se mutualmente.



Anos depois, Conway
voltou para DC e criou alguns personagens de segundo ou terceiro escalão da
editora. Entre eles, podemos destacar o Nuclear, que nasceu nos últimos estertores
da Guerra Fria, e a Poderosa, dona dos mais belos seios da DC. Quando escreveu
o Batman, Conway criou Jason Todd, o segundo Robin, que na época era uma versão
ruiva de Dick Grayson, e o Crocodilo. Vale destacar que, quando surgiu, o Crocodilo
era uma espécie de Bane, era não só muito forte, mas também inteligente e tentou
dominar o submundo de Gotham, sendo responsável pela morte dos pais de Jason,
também artistas de circo. Posteriormente, o Crocodilo tornou-se o vilão meio
irracional que conhecemos hoje.
Enfim, fica aqui meu
reconhecimento a esse grande escritor das HQs, que foi de suma importância para
a indústria dos quadrinhos, a despeito das recentes controvérsias e de ele
estar aposentado e meio esquecido. Bem ou mal, será sempre lembrado como o “assassino”
de Gwen Stacy.
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