MEMÓRIA EM QUADRINHOS – Promessas – O puro suco do Wolverine
Wolverine é sem dúvida
um dos grandes heróis da Marvel, reconhecido por todos. Não só por leitores de HQs,
mas também pelo público em geral, graças às versões para animações e cinema, ainda que
Hugh Jackman seja alto e galã demais em comparação à versão dos quadrinhos. No
entanto, há algumas histórias que revelam a essência do personagem e que se
tornaram clássicos. Uma delas é Promessas, escrita por Peter David e
desenhada por Gene Colan, duas lendas dos quadrinhos, e publicada originalmente
em Wolverine no 9, de 1989.
No enredo, um grupo de
homens mal-encarados chegam a um hotel no interior, fugindo de algo. Eles
deixam o atendente, que só queria “ler” sua Playboy, muito assustado. O
líder do grupo é um homem chamado Malone. Ao chegarem no quarto, um dos homens,
Van Slyke, parece aliviado, seja o que está atrás deles, ficou há quilômetros de
distância. Lego engano, porém, as garras de Wolverine atravessam a parede e dão
cabo de Van Slyke sem dó. Logo ficamos sabendo que, para Logan caçá-los, eles
com certeza são homens maus e a situação vai ficar negra para eles.
Apesar do estresse, os
homens estão cansados e dormem. Em seus sonhos, Malone lembra-se de que, dias
antes, ele e seus homens estavam se divertindo caçando. Um deles, Schmidt,
avista um veado e vai atrás do animal. Após, alguns instantes, solta um grito
horrendo, e a voz do Wolverine ecoa: “ele não está bem. Eu poderia matar todos
vocês agora, mas isso não seria certo. Comecem a correr”. E logo o corpo de Schmidt
cai da árvore. Malone desperta suando frio. Ele nota alguém deitado e pensa ser
Rollins, que ficou de vigia. Entretanto, quem se revela é Wolverine, que fala “lembra
do Iraque?” e pula pela janela. No lado de fora, encontram o corpo de Rollins.
Então Malone percebe
que era Wolverine quem tinha feito aquilo e que o aniversário da retomada da
embaixada faria cinco anos amanhã. Para sua sorte e de seus homens, dois homens
em uma jangada os avistam e oferecem ajuda. Malone os rende e rouba a jangada.
Agora ele pensa que pode escapar de Logan, mas obviamente está errado.
Wolverine destrói a jangada e mata outro de seus homens no rio.
Agora só sobraram do
grupo Malone e Bruno. Este surta e culpa Malone pelo ocorrido, que a ideia do
Iraque tinha sido dele. Ele tenta matar seu líder, mas o rifle está molhado.
Malone o liquida e segue correndo desesperado. No entanto, topa com uma
cachoeira e Wolverine logo surge atrás dele, em seu encalço. É quando ele conta
sua história. Havia alguns canadenses na embaixada dos EUA, e ele tinha sido
designado pelo governo canadense para resgatá-los. Um dos canadenses era a tal
freira, que Malone violentava todo dia. Quando Wolverine a encontrou, ela
estava morrendo, atingida por uma bala no fogo cruzado. No entanto, a feira
contou a Logan o que Malone fazia com ele e, antes de morrer, implorou: “prometa-me.
Prometa-me que vai fazê-los sofrer como eu sofri”. E Wolverine respondeu: “eu
prometo”.
Malone aterrorizado retruca:
“mas eu não a matei”. E Wolverine responde: “tu fez pior. Fez mais. Destruiu seu espírito. Sua alma. Até o ponto em que não havia mais perdão dela nem
para ti, e certamente nenhum perdão meu. Depois disso, eu andei... ocupado,
mas nunca esqueci. E agora, no aniversário de cinco anos de sua morte, te rastreei
para cumprir essa promessa. Malone então diz que Wolverine não poderia matá-lo hoje
porque o aniversário da morte da freira seria só amanhã, mas Logan esclarece: “você
esqueceu o fuso-horário, Malone. No Iraque, já é amanhã”. Malone em seguida diz:
“como fui tolo. Então agora você vai me matar, para manter sua promessa. Isso
vai te fazer muito feliz, não? Meu sangue escorrendo por suas garras. Bem, a última
coisa que quero é te ver feliz”. E então aponta a arma na cabeça e estoura seus
miolos, caindo no precipício.
Ao ver isso, Wolverine
pensa: “não, te matar não iria me deixar feliz. Talvez você pense que ganhou.
Tudo bem. Não faz diferença para mim, porque tirar uma vida nunca me trouxe
nenhuma alegria. Dificilmente algo traz... com exceção da inocência. Por ter
visto isso tão pouco, aprendi a apreciar. E tudo o que vocês sabem fazer é
destruir isso”. A cena corta para Logan em um bar em Madripoor, disfarçado como
Caolho, segurando uma cruz, e ele fala para a garçonete que estava pensando em
acontecimentos de muito tempo, antes de ter “amigos ou x-amigos. Ele diz que
estava pensando em “uma freira que morreu há anos, mas que sua morte faria
aniversário hoje. Estava pensando sobre o homem que a vingou anos atrás”. “Era
você?”, a garçonete pergunta? “Um homem como eu”, Wolverine responde. “Mais
como um perdedor. Com mais vícios”. Com mais um monte de coisa, mas pelo menos
um homem. Me traz outra cerva, querida. Parece que a noite vai ser longa”.
Essa história, ao meu
ver, revela o que é o Wolverine, qual sua essência e seu restrito e implacável
senso de justiça. É o puro suco do Wolverine. Um eterno clássico do personagem,
que tem outras histórias igualmente boas. Ao contrário das histórias mais
recentes do Wolverine, que têm sido umas porcarias.

























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