ANIMEMÓRIA | Yu Yu Hakusho, O Anime: Rapadura, Berimbau, Gaita E Muita Porrada!
👨🏾💻 Dados Técnicos
Japão
Baseado no Mangá homônimo de Yoshihiro Togashi
Período de exibição: 10 de outubro de 1992 – 17 de dezembro de 1994
112 episódios
Duração dos episódios: 24 minutos
Produção: Ken Hagino, Kenji Shimizu, Koji Kaneda e Kyotaro Kimura
Direção: Noriyuki Abe
Roteiro: Yukiyoshi Ōhashi
Música: Yūsuke Honma
Estúdio de animação: Pierrot
Distribuição/Licenciamento: BR Tikara Filmes/Cloverway/Swen Entretenimentos
Emissoras de televisão originais: Fuji TV, Rede Manchete, RedeTV!, Cartoon Network, Rede 21, Band, PlayTV
✍🏾 Sinopse:
Yu Yu Hakusho segue a história de Yusuke Urameshi, um delinquente que, num ato incaracterístico de altruísmo, é atropelado por um carro e morto em uma tentativa de salvar um garotinho, empurrando-o para fora do caminho. Seu fantasma é recebido por Botan, que se apresenta como a navegante do rio Sanzu, que transporta as almas para o submundo ou Mundo Espiritual (霊界), onde elas podem ser julgadas pela vida após a morte. Botan informa Yusuke que seu ato pegou até mesmo o submundo de surpresa e que ainda não havia um lugar feito para ele seja no céu ou inferno. Assim, Koenma, filho do governante do submundo Enma, oferece a Yusuke uma chance de retornar ao seu corpo através de uma série de testes.
⚖️ Créditos da Sinopse: Wikipedia
Inomináveis Saudações a todos e todos vós, Povo do Memória!
Nostalgicamente, venho declarar que este texto tem a mesma natureza do bate-papo que levei ontem com os leitores e visitantes do meu blog O Mundo Inominável sobre o Live Action de Yu Yu Hakusho, produzido pela Netflix Japão no ano de 2023. Um misto de emoções e sensações daquela época vou trazer para este texto aqui, algo escrito por um Fã que possui muito carinho, afeto e Amor pelo Anime. Um escrito, enfim, muito pessoal, registro do que recebi, vivi e pratiquei enquanto um adolescente apreciador deste estilo específico de Arte produzida no Japão. A lendária Rede Manchete deixou um legado importantíssimo na Cultura Brasileira, sendo Yu Yu Hakusho uma parte de todos o Acervo da Emissora, muito marcante e inesquecível para quem a acompanhou até o fim. Aqui vai também um saudosismo de órfão da Manchete, mas sem o fanatismo de estar voltado apenas para o Passado. O primeiro passo deste texto, então, será contextualizar o porquê de eu me assentar, pelo segundo dia seguido, em uma nostalgia enorme aqui no blog. Me acompanhem com muita atenção agora, leitoras e leitores virtuais.
Quando o que se chama de "nostalgia" leva aos excessos de desconsiderar tudo que é novo a favor de uma extrema afeição ao que foi visto, lido e ouvido no Passado, isso pode ser considerado uma Doença. Não é legal viver em uma prisão onde apenas se exalte o Ontem, em qualquer nível, em qualquer situação, em qualquer significado de um panorama cultural. Conheço Canais no YouTube que sobrevivem apenas da exaltação voltada para a falecida Manchete, com uma legião de múmias apegadas a tudo que a Emissora exibiu em vida. Na Esfera Otaku, o caso é de uma séria enfatização do ridículo no pesado apego ao que ficou temporalmente ultrapassado (aqui uso esta palavra relacionada ao contexto histórico do trabalho realizado pela Manchete). Não sou fanático pela História da Manchete, nem um Boomer ou, muito menos, um prisioneiro de uma época há bilhões de milênios de distância em termos de proximidade com os fatos e relatos da contemporaneidade. Tenho uma mente aberta tanto para um Anime interessante do Hoje quanto para um do Ontem que eu não conheça ainda; o mesmo ocorre em relação a Tokusatsus, Doramas, Mangás e demais obras japonesas. No Amanhã, continuarei sendo o mesmo, quero chegar aos oitenta anos sendo um velhinho consumidor e apreciador de quase tudo da Cultura Japonesa, bastante poderosa aqui no Brasil entre os públicos Nerd, Geek e Otaku.
Como Otaku Fedido que eu sou, a minha nostalgia cabe dentro do quanto tenho a falar para o público de hoje que aqui passar sobre cada obra que em minha infância e adolescência se tornaram grandes marcos da minha pessoal Existência. Quando ontem falei no blog sobre o Live Action da Turma do Yusuke, mencionei que era um adolescente quando assisti o Anime; agora, vendo aqui o primeiro ano de exibição no Brasil do Anime, eu tinha vinte anos quando o conheci. Assisti à primeira exibição do primeiro episódio aos 24 de março de 1997, 18:30 h de uma segunda-feira histórica para a História dos Animes que foram exibidos no nosso país. Praticamente sendo ainda um adolescente pela proximidade com a época em que esta se manifesta, recebi com muito agrado mais uma grande obra animada que a Manchete trazia para o Brasil. Saint Seiya (aka Cavaleiros do Zodíaco, como ficou conhecido melhor aqui no Brasil), Shurato e Sailor Moon foram os Animes mais marcantes que a Emissora exibira antes, Yu Yu Hakusho apenas juntou-se ao espetacular rol de excelentes obras transmitidas pela Emissora. Ganhando o meu coração desde o primeiro episódio, seguiu sendo para mim ocasionador de muitos momentos de empolgação, entusiasmo, animação, diversão, lágrimas, risos e sorrisos. Naquela época, eu ainda ria e sorria com bastante facilidade, ainda mais tais momentos brotando efusivamente por causa da Dublagem feita pela Áudio News que é a mais mitológica da História da Televisão Brasileira.
Como não ser um Fã do trabalho realizado pelo Estúdio carioca? Não há, antes e nem depois, um trabalho de Dublagem no Brasil que se equipare ao feito neste Anime. Com todo o respeito aos demais Profissionais desta Categoria de Trabalhadores Brasileiros, o que foi feito pela Áudio News figura como a maior e a melhor adequação de uma produção estrangeira à nossa realidade. Meus risos e sorrisos vinham do uso escrachado do bom humor, era notável o clima de descontração total dos Dubladores no tom de voz usado por cada um. Frases acabaram se tornando clássicos instantâneos como "a Rapadura é doce, mas não é mole, não"; "Ah, eu sou Toguro!"; "ô, aguinha gostosa!“; " Tu tá rindo de quê, rapaz? Tá pensando que berimbau é gaita, é?"; "eu tô na área, se derrubar é pênalti"; "ah, não é o carro da pamonha, mas atrapalhou na hora certa, hein?"; "eu não tenho samba no pé, mas eu bato prá caramba"; "Dane-se o mundo que eu não me chamo Raimundo!"; "Não adianta olhar com cara feia prá mim, não, cara feia prá é fome! Tá aprontando o quê, hein, bisonho?"; "Escuta aqui, ó, cabeludo: você é grande, mas não é dois; eu sou pequeno, mas não sou metade!"; "Eu não quero saber dos seus ancestrais, filhote de cruz-credo!"; "É claro que é, seu filho de uma ronca e fuça!"; "Cala a boca, estrupício!"; "Ô, chupa-cabra!"; e tantas outras frases que se tornaram icônicas dentro da Dublagem mais nonsense feita no Brasil!
Realmente, o empenho da Equipe de Dublagem transformou em um marco a exibição da obra porque se adequou perfeitamente ao sistema cultural brasileiro popular. Falando a linguagem do povo brasileiro, com gírias nossas como o aperitivo necessário para atrair público, o trabalho envolveu muita genuína criatividade na maneira como se deu a adaptação para o Brasil. O que fez toda a história ser muito bem recebida, tornando até mesmo muito mais atrativa do que o original das Interpretações em Japonês (li em algum lugar que o Estúdio onde Yu Yu Hakusho foi produzido elogiou bastante a Dublagem Brasileira, a primeira e mais marcante, a qual estou me referindo nesta Postagem). A brasilidade tornou tudo muito mais acessível e como linguagem auxiliou ainda na naturalidade do politicamente incorreto visceral que era muito comum nos Animes, sem as censuras diversas que hoje ocorrem. Muita cena de Yu Yu Hakusho que não causou escândalo algum na época seria hoje polemizada em alta escala pelos Justiceiros Sociais, Feministas de Internet e Webrevolucionários em geral por causa de seu teor que, muitas vezes, chega ao nível do subversivo. Aquela luta do Yusuke contra a Miyuki, um transexual, seria proibida de ser exibida no corte final de alguma emissora tanto quanto o levantamento da saia da Keiko feita por aquele junto com a frase safadona que ele emitiu. Outros tempos com outras mentalidades e um público que via como natural, nada chocante, o que agora é motivo para Cancelamentos, ataques e discussões sem fim que não levam a lugar algum nas Redes Sociais.
Minha opinião hoje em relação ao politicamente incorreto desta obra aqui é a de que a produção do Anime não foi voltada para gratuitamente criar cenas que para públicos mais sensíveis são consideradas grotescas. Na época havia uma parcela de sensibilidades que se sentiram afetadas pela violência de muitas cenas, aspecto que outro fator que explica o sucesso no Brasil de Urameshi e cia. Puro Shonen, óbvio que porrada atrás de porrada se constitui a alma desta obra, não um jogo filosófico acadêmico de elaborações de complexos conceitos acerca da Vida, da Morte e da Espiritualidade. Estas três são as temáticas da história, no entanto, não se agigantam a ponto de retirarem dos episódios a essência porradeira que deles faz parte com muita energia. Muito sangue, muita estratégia nas lutas e oponentes que, muitas vezes, fazem os resultados serem justos para qualquer dos lados em um combate, dão-me hoje a visão deste ser o Anime que assisti com o melhor quadro de combatentes que não ignoravam o estudo das próprias formas de lutar. Yusuke mesmo, apesar de não ser muito inteligente ou paciente, possui de modo instintivo uma Genialidade Marcial que o Treinamento com a Mestra Genkai veio a aflorar em um alto grau de estatura. As lutas dele contra Chu, Toguro, Sensui e Yomi; a de Hiei contra Bui; e a de Kurama contra Karasu: as melhores para mim em termos de Técnicas, Aplicações de Técnicas e Utilidade das Técnicas. Estrategicamente, cada luta maior do Anime mostra o quanto são habilidosos os Lutadores do mesmo e me perco por quase diariamente algumas horas assistindo as mesmas no YouTube.
É com a mesma empolgação da era da Manchete que eu atualmente levo adiante as horas em que assisto essas lutas, principalmente Yusuke Versus Toguro e Yusuke Versus Sensui. Toguro e Shinobu Sensui, dois Personagens que se encontram, segundo meu entendimento de Otaku, entre os ícones dos Vilões na História Dos Animes. Porém, chamar os dois maiores Antagonistas desta história de, simplesmente, Vilões, é retirar-lhes toda a complexidade personalista existencial em si mesma que os faz como destaques maiores deste Universo Mitológico. As camadas, tanto de um quanto de outro, são tão profundas que, para cada um, necessitariam, da minha parte, a escrita de textos para a dissecação analítica que eu faria deles. Sem esses dois Grandes Personagens, Yusuke e sua trajetória seriam apenas componentes de um Anime entre tantos Animes. Mas, isto não quer dizer que Yu Yu Hakusho seja uma obra-prima, como eu cheguei a mencionar na Postagem sobre o recente Live Action. Como um Fã que não se cega ou deixa cegar a partir da admiração profunda de uma obra, eu sou consciente dos detalhes não muito perfeitos da obra, sendo a maior delas o desfecho na Saga Dos Três Reis. Esta considerando como a parte mais fraca do Anime e, se não fosse a citada luta travada entre Yusuke e Yomi, seria tão descartável quanto a Saga de Majin Boo que encerrou Dragon Ball Z.
Com apenas um deslize em sua continuidade, para mim, na parte final de sua execução como Série Animada, o balanço geral e definitivo que faço do todo da mesma é elevadamente positivo. Ainda dando muito suco e caldo, sendo divertidíssima e tendo envelhecido bem até demais, Yu Yu Hakusho determina-se como uma obra de muita direta fonte de diálogos rápidos, tramas simples e o sentido de nunca forçar, de forma apenas gratuita, situações mais temperadas pelo derramamento de sangue do que reflexivos momentos de introspecção de alguns Personagens. Koenma, Botan, George, Yukina, Shizuru e todos do Elenco além dos quatro principais proporcionam diversos lados e interpretações dos Eventos que vemos em curso na Animação, cada um tendo um tom, cada um sendo de uma importância para a sequência daqueles. Eu não perdia um episódio, o horário de exibição era sagrado para mim; e gravei vários em fitas-cassete para rever diversas vezes enquanto tive um aparelho que reproduzia essa Mídia. Época, de minha Existência, bem mais suave do que a de agora, traz as lembranças de minha saudosíssima mãe e do clima descontraído e tranquilo de um período histórico, nacional e mundial, infindavelmente distante do habitat virtual deste momento, no qual estamos indelevelmente inseridos. Muita coisa boa eu teria a escrever aqui neste relato 100.000% (ou mais, muito mais!) pessoal das minhas boas lembranças relacionadas a Yu Yu Hakusho. Entretanto, Postagens futuras tenho em mente fazer relacionadas ao Anime, assim como de outros (e de Tokusatsus e Animações de outros países que me acompanharam na infância, adolescência e vida adulta agora) aqui neste meu Mundo. Encerro aqui este texto saudoso, com um pequeno sorriso no rosto e a certeza de que vou me preparar para maratonar todos os episódios muito em breve. E, Dublados ou Legendados, a satisfação será a mesma do Passado, junto a uma empolgação que me fazia vibrar em altíssima voltagem, assistindo-os!
No corre-corre da Cinzenta Cidade Humana Contemporânea, não podemos deixar a Rapadura secar demais ao sol, o Berimbau emitir um som tosco, a Gaita ser amassada se sentarmos em cima dela sem querer e a Porrada diária de todos os problemas que enfrentamos nos derrubar!
幽遊白書さん、本当にありがとうございました
Yūyūhakusho-san, hontōniarigatōgozaimashita
Muito obrigado, Yu Yu Hakusho!
Saudações Inomináveis a todos vós, Povo do Memória!
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| Noriyuki Abe |
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| Yukiyoshi Ōhashi |
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