FALANDO EM SÉRIE – Homem-Aranha tokusatsu – A versão mais bizarra do herói já feita? (1978)



De todas as versões do Homem-Aranha, acredito que uma das mais bizarras seja a da série tokusatsu produzida pela Toei em 1978. Fruto de uma parceria da produtora com a Marvel, a série tornou-se muito diferente da HQ original. Os produtores consideraram que, para adaptar o Aranha para o público nipônico, teriam de fazer algumas "adaptações" que fugiram completamente da história original e do cânone do Cabeça de Teia. 

Na série, em vez de Peter Parker, temos como protagonista Takuya Yamashiro, interpretado por Shinji Todo. No enredo, ele é um jovem motoqueiro que avista a queda de uma espaçonave chamada Marveller. Seu pai, o doutor Hiroshi, também chega ao local para investigar a queda, mas é assassinado por soldados do império alienígena Iron Cross Army.

Fugindo dos inimigos, Takuya encontra Gara, o tripulante da Marveller e único sobrevivente do planeta Spider, que havia sido destruído pelo Professor Monster, o líder do Iron Cross Army. Ele então faz uma transfusão de sangue em Takuya, o dotando de seus poderes. O jovem também herda o uniforme e o bracele de Gara. Agora ele é o Homem-Aranha, o único herói que pode impedir o Iron Cross Army de conquistar o Japão e quiçá o mundo.



Além de Takuya, a série possuía alguns coadjuvantes fixos. Entre eles, Hitomi, sua namorada; Shinko, sua irmã caçula; Takuji, seu irmãozinho. Além deles, há a participação de Juzo Mamiya, um investigador da Interpol que descobre que Takuya era o Aranha e se torna seu aliado.







Do lado dos vilões do Iron Cross Army, além do Professor Monster, o líder da organização alienígena, havia Amazoness, sua subalterna imediata; e Bella e Rita, duas guerreiras ressuscitadas graças à ciência maligna do professor. Fora o "monstro da semana" que o Aranha enfrentava em todo episódio.

O Aranha japonês não se limitava a ficar se balançando por Tóquio com a corda de seu bracele. Também tinha seu carro, o Spider Machine GP, e seu robô gigante, o Leopardon, que derivava da transformação da Marveller e foi o primeiro robô gigante de uma série da Toei. Além disso, ele tinha uma frase de efeito dramática: "sou o emissário do Inferno, o Homem-Aranha".

A série, apesar de ser para crianças, tinha um tom mais sério. O Aranha não ficava fazendo piadinhas. Não tinha a galhofa de sua versão norte-americana. No entanto, havia muita lição de moral nos episódios, em que o herói dava orientações em como as crianças deveriam se portar na sociedade.

Ao final da série, o Aranha enfim consegue derrotar o Professor Monster, que se transforma em sua versão Big Monster, e elimina o Iron Cross Army. Takuya termina a série tirando sua máscara e falando para seu pai falecido que seu objetivo tinha sido alcançado, diante do pôr do sol.

Apesar de ser criticada pela falta de fidelidade, Stan Lee defendia a série e até quis que os desenhistas da Marvel desenhassem o Aranha nas poses da sua versão nipônica. Com o tempo, a série tornou-se conhecida e ganhou o status de trash cult. O Aranha japonês também voltou a aparecer nas HQs, na saga Aranhaverso. Quem é vivo sempre aparece mesmo.





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