In Memoriam: Arnaldo Jabor


Acredito que muitos tenham ficado surpreendidos hoje, dia 15 de fevereiro, com o anúncio do falecimento de Arnaldo Jabor, notório cineasta e jornalista, em virtude de complicações de AVC. Na verdade, ele se tornou famoso nas últimas décadas como jornalista, comentarista do Jornal Nacional e Jornal da Globo; muita gente nem conhece o histórico de Jabor como cineasta, ou sua importância para o cinema nacional no período dos anos 70 e 80. Eu mesmo assisti a poucos filmes dele, devo admitir, até mesmo porque não sou um espectador assíduo do cinema nacional; a maioria dos filmes que vejo são norte-americanos, de Hollywood, apesar de apreciar filmes da maior parte dos países.



Carioca, nascido em 12 de dezembro de 1940, Jabor foi um dos expoentes da segunda fase do Cinema Novo, seu primeiro longa-metragem foi o documentário Opinião Pública, de 1967. Entretanto, dos filmes que se tornaram mais célebres do cineasta, podemos citar Toda Nudez Será Castigada, de 1972, baseado na peça de Nelson Rodrigues, em que é retratado o conflito de Herculano e Serginho, pai e filho, em razão da prostituta Geni, que se torna noiva de Herculano. Também se deve destacar a Trilogia do Apartamento, constituída por Tudo Bem, de 1978, filme que reúne Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo, com um casal idoso de classe média que vive em crise já na decadência do “milagre econômico” brasileiro; Eu Te Amo, de 1981, em que Sônia Braga e Paulo Cesar Pereio interpretam um casal em crise; e Eu Sei Que Vou Te Amar, de 1986, com Fernanda Torres e Thales Pan Chacon como outro casal de classe média em crise. A obra cinematográfica de Jabor tem como características o retrato da classe média no fim do “milagre econômico” e as relações familiares e conjugais.

No entanto, depois que Collor acabou com a Embrafilme, que era onde todos os diretores e cineastas brasileiros tiravam o seu, Jabor não pode mais realizar seus filmes. Seu ganha-pão então foi a imprensa. Nos anos 90, tornou-se colunista do jornal O Globo e pouco depois comentarista do Jornal Nacional. Foi como comentarista político que Jabor ganhou sua notoriedade, mais que como cineasta. Também foi comentarista da rádio CBN. Engraçado que, pouco depois da ascensão de Jabor como jornalista, faleceu Paulo Francis. Então, Jabor meio que preencheu o vácuo ocasionado pela morte do Francis, porque não havia muitos jornalistas com esse estilo de verve irônica na época, da velha guarda.


Seus livros com as compilações de suas crônicas foram populares, mas um em especial se destaca, Amor é prosa, sexo é poesia, que se tornou um best seller dos anos 2000, lido sobretudo por mulheres de meia idade e senhoras acima dos 60 anos. Em 2010, Jabor voltou a dirigir um longa-metragem, A Suprema Felicidade, filme parcialmente autobiográfico.

Sabemos que Arnaldo Jabor, em razão de suas críticas políticas, não era querido por todo mundo. Na data da sua morte, já vi nas redes sociais comentários bastante condescendentes. Nos governos Lula e Dilma, Jabor foi bastante odiado pelos petistas, mas não somente por estes, claro. No entanto, creio que é importante referenciar este que se tornou meio que um “intelectual pop” da TV das últimas décadas, inegavelmente.

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