PAPO DE CINEMA | The Flower Girl
👨🏾💻 Dados Técnicos
Coréia do Norte
1972
125 min.
Título Original: Kotpanum chonio
Gênero: Drama
Direção: Ik-gyu Choe e Hak Pak
Elenco: Yong Hui Hong, Hu Nam Ru, Chon Sob Han, Ren Rin Kim, Seung-oh Kim, Sun-Young Kim, Yeon-sil Kim, So Am Ko, Hwa-son Pak, Min Pak e Byung-ok Son
Idioma: Coreano
✍🏾 Sinopse
O país está ocupado pelos imperialistas japoneses. Kotpun está vendendo flores no mercado para conseguir algum dinheiro para comprar remédios para sua mãe doente, enquanto seu irmão está preso, seu pai morto e sua irmã cega.
⚖️ Créditos da Sinopse: Cine Asian Space
Inomináveis Saudações a todas e todos vós, Povo do Memória!
Este filme atraiu minha curiosidade, a minha atenção e o meu interesse totais quando o vi disponível no falecido blog Cine Asian Space, que foi um fantástico Fansub para Filmes e Séries Orientais. Muitos motivos fizeram-me apreciar ao fim do dia 05 de agosto de 2022 esta obra da época do avô de Kim jong-ul, Kim Il-sung, Presidente da Coréia do Norte que escreveu o Roteiro e o produziu. Primeiramente, é o único filme deste, o mais fechado país mundial, que assisti até hoje; em segundo lugar, é uma aula de História resumida da ocupação japonesa na Península Coreana, com os eventos ocorrendo no ano de 1930; em terceiro lugar, o Roteiro não faz propaganda política comunista e narra com altas doses de emotividade cavalar uma sofrida e tristíssima história de uma família pobre; e, em quarto lugar, o alto nível das interpretações, nos quais deu para perceber como saídas de muito além de um domínio técnico da atuação em cena, garantiu uma experiência que me fez derramar sinceras lágrimas.
Tenho mergulhado demais em filmes desta natureza e me identifiquei com a família oprimida, tratada como escrava, vista como menos do que humana, agressão advinda de Colaboracionistas dos ocupantes japoneses. Toda uma aldeia de camponeses é humilhada e explorada pelo casal de traidores do próprio país, vivendo uma vida miserável e deprimente. Doeu ver muito o sofrimento pelo qual as pessoas passavam e o das protagonistas do filme, o que foi mais de perto visto, dilacerou minha alma. As músicas, dolorosamente cantadas, transmitem ainda mais Dor e Sofrimento a um cenário de situações tristes demais. Não tenho vergonha de assumir que choro quando filmes assim me tocam profundamente, meu mergulho é total e outra vez me senti na pele das vítimas de todas as crueldades e humilhações em um filme que não usa máscaras para expor a maldade humana. É universal o que se passa entre os mais humildes e carentes explorados pelos que possuem dinheiro, contatos poderosos e um autoritarismo gigantesco que os faz pensar estarem acima de toda Lei e daqueles que pisoteiam.
Kotpun (Yong Hui Hong) é a mais pisoteada junto com a mãe, a irmã e o irmão. Para comprar remédios para sua mãe, ela vende flores na cidade e nem sempre consegue arrecadar o necessário. Quem já teve que assim lutar, sabe que o peso nas costas a carregar é o de diversos mundos, sendo que nem todos podem suportá-lo. Mas, tal qual Misu Misou, uma flor que cresce no Inverno e resiste a baixíssimas temperaturas, Kotpun resiste às mais diversas situações e condições. Muito forte, inabalável, mesmo que ao fim de todo um dia de trabalho ela se destrua em lágrimas diante de tanta dificuldade. E, no outro dia, ela se ergue radiante como o Sol para continuar vendendo flores para cuidar da mãe doente. Esta, praticamente uma escrava dos desprezíveis amigos dos japoneses, aos quais deve dinheiro, como todos da bastante humilde aldeia, faz de tudo para que a filha não se torne outra escrava em mãos tão cruéis. Tal mãe sofre muito, uma carga torturante de aflições, angústias e amarguras ocasionadas pela tirania daqueles a quem ela deve dinheiro. A Senhora Kim (Hu Nam Ru) é uma grande mãe, mulher e Guerreira que suporta tudo para que suas filhas não sigam a duríssima vida que ela leva atada aos que literalmente escravizam-na.
E a filha mais nova dela, Sun Hui (Rwa-son Pak), é uma criança vítima daqueles desprezíveis escravizadores, verdadeiros monstros, como certa sequência do filme mostra. E foi por causa do ato que causou a deficiência visual da irmã que Chol-yong Kim (Ren Rin Kim), o terceiro dos filhos, comete um ato de vingança que o leva a ser aprisionado pelos japoneses. Este filme é puro sofrimento, uma angústia e desespero crescentes atingiram-me ao ver o quanto a família de Kotpun sofreu. Nunca fui insensível aos problemas dos demais, mesmo que em determinadas épocas de minha vida eu tenha sido extremamente egoísta quando minha situação financeira era bem melhor do que a atual. Sou de uma família pobre, enfrentei muitas dificuldades na vida e a imediata identificação com os personagens mais sofridos deste filme não foi algo vazio ou de momento. Quase que vivi situações de humilhação parecidas, principalmente nos últimos anos com a minha mãe, vítima de Alzheimer. A Senhora Kim me fez lembrar da minha mãe e a Kotpun a mim mesmo, um ato natural de minha parte, visto que eu procuro assistir filmes através dos quais eu participe ativamente dos acontecimentos.
Vocês encontrarão pela Internet, em Inglês, Resenhas negativas dando notas baixas ao filme, escritas por pessoas de diversos países. O foco principal das críticas é em torno da crença que o filme é "apenas propaganda da Ditadura Norte-Coreana" ou, melhor esclarecendo, do tipo de Comunismo que se desenvolveu na Coréia do Norte. Sempre vou bater na tecla de que se deve assistir, ler e ouvir obras para que conclusões próprias sejam feitas, o mesmo valendo para The Flower Girl. Esqueçam do contexto histórico que permeou a produção do filme e até mesmo o que a Ditadura de Kim jong-ul é hoje em face do momento contemporâneo. Esqueçam a Ideologia Comunista dos realizadores do filme e foquem na humana mensagem inserida acima de tudo que possa indevidamente ser visto como "propaganda política". Há, sim, uma mensagem política antes do encerramento do filme, mas ela está contextualizada dentro da história, não sendo uma panfletagem gratuita repleta de elementos que visem à conversão de adeptos. A mensagem está no cerne do que ocorreu com o Povo Coreano submetido aos tirânicos sonhos megalomaníacos do Império Japonês e nos livros de História a tratarem do assunto, vocês encontrarão informações sobre todas as monstruosidades que os japoneses cometeram na Coréia, a qual era um só país na época em que a trama desta obra encontra-se. O que está aqui ultrapassa muito mais o mero simplismo de um discurso político.
É, sim, uma peça de arte revolucionária a favor do Direito Eterno de cada Ser Humano ser livre. Cada cenário, em belíssimos registros de uma belíssima Fotografia, é de um Simbolismo perceptível no tocante a gritar de modo constante por pedidos de Liberdade, Esperança e Bem-Aventurança. A saga de Kotpun é muito grande para ser simplificada como mero dispositivo politiqueiro comunista e foi um erro a Coréia do Sul um dia tê-lo proibido, pois se trata da história de todo o Território Coreano. Mesmo dividido, o Povo da Península Coreana é apenas Um, tendo o mesmo Passado de Escravidão, Exploração e Tortura nas mãos dos imperialistas japoneses e de muitos coreanos traidores do Povo ao qual pertenciam. Os Colaboracionistas no filme tiveram um desagradável fim e sabemos que todos aqueles, na vida real, que ajudaram aos invasores de seu próprio país não tem finais felizes. Não posso contar ponto a ponto o trajeto narrativo do filme, que é algo com uma coerência contextual precisa e decisiva até sua esperançosa conclusão. Sim, ao final do filme, A Liberdade, A Esperança e A Bem-Aventurança brilham incessantes no horizonte, uma mensagem para todos os espectadores porque são objetivos de todas as pessoas deste mundo que desejam harmoniosamente viver. É belo o modo como o filme se conduziu para uma conclusão que aponta não para um piegas final feliz, mas para uma indicação dos passos a serem dados para A Felicidade reinar no horizonte de todo um país. Algo maior do que o próprio filme em si e que se torna o ponto exati de toda forma de conscientização sobre a humana necessidade da busca pela Paz Existencial.
Os quatro grandes atores citados acima, da família subjugada pelos terríveis trágicos acontecimentos, são monstruosamente talentosos e geniais nas interpretações. Tudo funciona perfeitamente bem neles, dá mesmo para sentir toda a carga de tristeza e agonia de pessoas que sofreram bastante a vida inteira. Tragédias demais ocorreram com os personagens que eles magistralmente interpretaram. No entanto, como escrevi no parágrafo acima, ao final A Luz surge como o primaveril desabrochar de Flores Eternas nos campos da humana vida. Recomendadíssimo fica, então, este filme a todos que tiverem a mesma atenção, a mesma curiosidade e o mesmo interesse que eu tive em assisti-lo.
Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Povo do Memória!




































































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