PAPO DE CINEMA - "A MARCA DA FORCA" (1968) - PRIMEIRO LONGA DE CINEMA (AMERICANO) DE CLINT EASTEWOOD
Muitos hoje 'torcem o nariz' para o gênero faroeste, desconsiderando que ele serve de base para inúmeros filmes de suspense e policiais que envolvam vingança. Nossa matéria fala sobre um clássico moderno: "A MARCA DA FORCA", também conhecido como "Território sem Lei", estrelado por Clint Eastwood. Convidamos a virem conosco...E então, vamos lá?
Certa vez uma pessoa se irritou comigo, quando afirmei que Clint Eastwood se tornou famoso de fato depois da 'trilogia dos dólares' de Sergio Leone. Mesmo explicando que o ator só era conhecido nos EUA pela série "Couro Cru" e que seu retorno aos EUA (agora famoso) foi para protagonizar "A MARCA DA FORCA", seu primeiro papel principal em um filme americano de faroeste, a pessoa não aceitou. Depois disto, desisti (já que o cara partiu para as ofensas).
Eastwood passou grande parte de 1966 e 1967 dublando a 'trilogia dos dólares' e dando entrevistas; isto acabou por deixá-lo irritado. Talvez achasse que ficar fora das telas pudesse prejudicá-lo. Porém, a 'trilogia' deu grande impulso a sua carreira, a ponto de receber ofertas de trabalho em Hollywood. Também lhe deu dinheiro suficiente para realizar um sonho: criar sua própria produtora, The Malpaso Company.
Como era de se esperar, as ofertas de trabalho eram para papéis de 'durão'. Uma das ofertas era para o filme "HANG 'EM HIGH", um faroeste 'revisionista'. 'Hang 'em high' significa literalmente 'enforque bem alto' ou, adaptado, 'pendure bem alto'. Mas no Brasil acabou sendo exibido com dois títulos diferentes: "A Marca da Forca" e "Território sem Lei" (o primeiro se encaixa melhor).
Também lhe foi oferecido um papel em "O Ouro de Mackenna", onde ele trabalharia ao lado de nomes fortes como Gregory Peck, Telly Savalas (o "Kojak") e Omar Sharif (de quem não gosto muito). Sua opção foi pelo primeiro, o que muitos acharam ótimo, já que "O Ouro de Mackenna" é considerado um fracasso, embora tenha custado US$ 7 milhões e tenha uma bilheteria estimada de US$ 41 milhões de dólares...
"A Marca da Forca" é um faroeste diferente dos demais da época pelo nível de ação e violência que traz. Inclusive isto acabou irritando John Wayne (que fazia cada vez menos filmes), que declarou que "isto não era filme de faroeste". Ele não falava especificamente deste filme, mas dizia que Eastwood não "fazia filmes para famílias assistirem" ( Wayne estava fechando os olhos para a violência que SEUS filmes traziam).
O filme já começa acelerado com a tentativa de enforcamento de um homem inocente. Jedediah 'Jed' Cooper leva tranquilamente o gado que comprou para sua fazenda, quando é cercado por um bando de nove homens. Os homens o acusam de ter roubado aquele gado. Como Jed não tinha o recibo consigo, os homesn não acreditaram que ele os havia comprado honestamente. Para piorar as coisas, o homem que vendeu foi assassinado e a culpa recaiu sobre ele.
Os homens o espancam e o enforcam em uma árvore próxima. Apenas um dos nove se opunha ao linchamento e enforcamento, um homem chamado Jenkins. Mas o líder, o Capitão Wilson representado por Ed Begley (ator que se dizia que se não estivesse no filme, não era faroeste), insiste em levar o enforcamento adiante, dizendo a frase que é o título (em inglês) do filme: "Pendurem bem alto!"...
O maior erro dos homens foi não ter esperado para se certificarem de que Jed estava realmente morto. O cara era meio 'duro de matar' e acabou sendo salvo por um delegado federal que passava por ali. O delegado se chamava Dave Bliss, representado por Ben Johnson, outra 'figurinha marcada' nos filmes de faroeste da época...
O delegado salva Jed, mas o leva para o Forte Grant preso, já que havia a suspeita de roubo e assassinato. Porém, o verdadeiro perpetrador do crime é preso e enforcado. O Juiz Adam Fenton (Pat Hingler), 'a única Lei daquelas bandas', segundo ele próprio, liberta Jed e lhe oferece o cargo de vice-delegado, para que ele fosse atrás dos nove homens que tentaram linchá-lo. Porém, o Juiz deixa bem claro que ele não deve aceitar o serviço para matar os homens e sim para trazê-los...
Jed aceita e sai em busca de seus atacantes. Mas como não poderia deixar de ser os homens, com exceção de Jenkins, não se renderiam facilmente (eles haviam se espalhado quando a notícia de que o verdadeiro assassino havia sido pego se tornou conhecida), e além de reagirem ainda armam emboscadas para o vice-delegado...
Em resultado de uma destas emboscadas, entra em cena a personagem Rachel Warren, representada por Inger Stevens. Onde quer que tivesse algum homem ferido em um leito, lá estava a atriz... Sua personagem era uma viúva que teve o marido assassinado e havia sido estuprada pelos assassinos. Isto já era algo diferente em um filme de faroeste. A violência não se limitava aos tiros.
O filme acaba trazendo uma crítica sutil ao sistema de aplicação da lei no velho oeste (e atualmente). A certa altura Jed percebe que o juiz se limita a enfocar os acusados. Jed percebe isto ao pedir clemência para Jenkins e entrega seu distintivo. Há uma discussão entre os dois sobre o mérito da justiça territorial. O juiz insiste que faz o melhor que pode diante do fato de ser o único tribunal do território e com poucos recursos. O que inclusive dificulta a defesa dos acusados.
O juiz então diz que se ele discorda, que o ajude a transformar Oklahoma em um estado e assim ter tribunais adequados. Diante disto, Jed Cooper retoma seu distintivo em troca da libertação de Jenkins. O juiz aceita e lhe entrega mandados de prisão a serem executados...
O trabalho de Eastwood neste filme é subestimado; ele é capaz de mostrar sua indignação com a observância das falhas no cumprimento da lei apenas com suas expressões. Também podemos perceber o desejo de matar seus atacantes em conflito com o cumprimento do dever. Enfim, é um grande filme, que merece ser assistido.
Subestimado ou não, o filme serviu, e serve ainda, de base para muitos filmes de diferentes gêneros. Em geral os filmes de faroeste estão na medula de muitos dos filmes atuais. Quem é fã do gênero sabe disto. O amado e clássico "STARWARS: EPISÓDIO IV" de 1977 é um exemplo claro. Na época de seu lançamento foi chamado de "faroeste espacial" e não foi atoa...
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