Papo de Cinema | O BURACO NEGRO (The Black Hole) - 1979


Desta vez, nossa viagem cinematográfica nos leva de volta ao fim dos anos 70, uma época em que a ficção científica vivia uma verdadeira revolução nas telonas após o estrondoso sucesso de Star Wars. De olho nesse novo universo de possibilidades, a Disney apostou alto em uma ambiciosa aventura espacial que misturava os elementos dos populares filmes-catástrofe da época com os mistérios do espaço profundo.

O resultado foi O BURACO NEGRO: uma produção cercada por curiosidades, efeitos especiais inovadores para seu tempo, uma trilha sonora marcante e uma trama que até hoje divide opiniões. Para alguns críticos, um projeto excessivamente pretensioso; para muitos fãs, uma inesquecível sessão de aventura e imaginação que marcou a infância de toda uma geração.

Então prepare-se para embarcar na USS Palomino e acompanhar sua tripulação rumo ao encontro da misteriosa USS Cygnus, uma nave perdida que desafia todas as leis da ciência ao permanecer estacionada à beira de um colossal buraco negro. O que eles encontrarão por lá? Quais segredos aguardam nas profundezas do espaço?

Aperte os cintos, ajuste seus retrofoguetes e venha conosco em mais uma edição do Papo de Cinema. Boa viagem!

SINOPSE: No ano de 2130, a USS Palomino, uma nave espacial de exploração interplanetária, está retornando para a Terra quando em seu trajeto se depara com uma nave desaparecida 20 anos antes, a USS Cygnus, construída pelo Dr. Hans Reinhardt (Maximilian Schell) um homem que oscila entre a genialidade e a loucura, e que tem como ambição maior fazer uma ousada viagem através de um buraco negro. A tripulação da Palomino passa então a ser perseguida na tentativa de parar as loucuras do “cientista maluco”, Reinhardt.

Para BAIXAR O FILME COMPLETO, clique AQUI!


Título: O BURACO NEGRO
Título Original: The Black Hole
País: EUA
Ano: 1979
Duração: 98 min.
Gênero: Aventura / Ficção Científica
Estúdio: Walt Disney Productions
Direção: Gary Nelson
Produção: Ron W. Miller
Roteiro: Gerry Day e Jeb Rosebrook
ELENCO PRINCIPAL:
- Maximilian Schell: Dr. Hans Reinhardt
- Anthony Perkins: Dr. Alex Durant
- Robert Forster: Capitão Dan Holland
- Joseph Bottoms: Tenente Charlie Pizer
- Yvette Mimieux: Dra. Kate McCrae
- Ernest Borgnine: Harry Booth
- Roddy McDowall: voz do robô V.I.N.CENT
- Slim Pickens: voz do robô velho B.O.B.
- Tom McLoughlin: robô S.T.A.R.
Música: John Barry
Edição: Gregg McLaughlin 
Orçamento:   US$ 20 milhões
Arrecadação: US$ 35,8 milhões


"PRÊMIOS" & INDICAÇÕES

Oscar (1980) Indicações:
- Melhores Efeitos Especiais: 1980
- Melhor Fotografia: 1980

Saturn Awards (1980) Indicações:
- Melhor Filme de Ficção-Científica: 1980
- Melhores Efeitos Especiais: 1980
- Melhor Roteiro: 1980
- Melhor Música: 1980



OPINIÃO:

De cara tenho de iniciar dizendo que é um filme que divide opiniões, mas que é inegavelmente um filme fraco. Sim, apesar de gostar dele como aventura e de ao revê-lo sentir aquele gostinho de nostalgia que torna tudo mais aprazível, não posso contradizer os mais críticos que notam o desleixo no roteiro, principalmente quanto as questões científicas, nem o ritmo desnecessariamente lento e os personagens subestimados e quase nada aproveitados. Não fossem os nomes de peso para viver os astronautas, especialmente Anthony Perkins, Robert Forster, Yvette Mimieux e Ernest Borgnine (grandes nomes da época), os personagens seriam facilmente esquecidos. Mas, nem tudo é crítica e depreciação da obra. Na verdade, há momentos dramáticos muito bons que fazem o longa valer a pena, além da interessante abordagem mais sombria e violenta do que o habitual nos filmes da Disney. Enfim, olhando com bons olhos, temos um ótimo elenco, bons efeitos (criativos e diferenciados pra época), trilha sonora excepcional assinada por John Barry. O que não posso ignorar e tenho de ratificar é que o filme tem um início um pouco arrastado, mas da metade para o final o ritmo melhora e o clima de tensão empolga e dá gosto no final. É uma obra de ficção "científica" polêmica e datada, mas que diverte e faz valer a curiosidade. Nota: 6,5


CURIOSIDADES:
  • O Buraco Negro foi o primeiro filme da Disney que não foi feito para o público infantil e recebeu classificação indicativa (PG) nos EUA. (A Classificação PG indica que o longa contém cenas de violência retratando luta, queima e explosão e/ou cenas assustadoras).
  • Em Portugal o filme ganhou título ABISMO NEGRO.
  • “O filme espacial da Disney” estava em desenvolvimento há mais de um ano, com uma abertura planejada para o Natal de 1978. No entanto, a data de lançamento foi adiada para o verão de 1979.
  • O efeito visual do buraco negro propriamente dito foi criado com a formação de um redemoinho em uma caixa d'água redonda de acrílico e adicionando cores diferentes de tinta.
  • Como tantos outros filmes de ficção científica lançados depois de Guerra nas Estrelas (1977), que gerou uma fortuna em mercadorias licenciadas, esse filme teve muito merchandising vinculado. Não vendeu bem. Os brinquedos antigos do filme são muito procurados e costumam ser vendidos por enormes quantias de dinheiro.
  • Em 2014, o astrofísico americano Neil de Grasse Tyson falou que o filme era o “menos cientificamente preciso de todos os tempos”.
  • A história teve uma continuação nas revistas em quadrinhos em 4 edições, chamada Beyond Black Hole, que no Brasil foram lançadas em edições do Almanaque Disney e Revista do Tio Patinhas pela Editora Abril por volta de 1980.
  • Para filmar os efeitos especiais a Disney queria alugar a Dykstraflex camera system, a primeira câmera controlada por computar que foi usado em Guerra nas Estrelas (1997), mas os preços e aluguel eram um tanto complicados. Então a Disney criou sua própria versão do equipamento, o que resultou no A.C.E.S. da Disney (Automated Camera Effects System), que era radicalmente superior ao sistema Dykstraflex; e no sistema Mattescan, que permitia que a câmera se movesse em uma pintura fosca (que antes era impossível); e um stand de modelagem controlado por computador.
  • Peter Ellenshaw, desenhista de produção e criador de efeitos em miniatura, produziu três miniaturas tridimensionais, uma em uma escala de quarto de polegada e as duas restantes em uma escala bem reduzida. As miniaturas levaram nove meses e US$ 250 mil para serem construídas com “peças de latão usinadas à mão”. 
  • O pôster do filme pode ser visto no quarto de Sam Flynn na cena de abertura de TRON: Legacy (2010).
  • De acordo com a imprensa da época, O Buraco Negro foi o primeiro longa-metragem do mundo que teve a trilha sonora gravada digitalmente.
  • Na época de seu lançamento, o filme apresentava a mais longa sequência de computação gráfica que já havia aparecido em um filme: a sequência “grade verde” dos créditos iniciais.


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