NA ESTANTE | O Senhor Dos Anéis: As Duas Torres - J. R. R. Tolkien

 


Resenha da Parte I:

O Senhor Dos Anéis: A Sociedade Do Anel – J. R. R. Tolkien


In the willow-meads of Tasarinan I walked in the Spring

Ah! the sight and the smell of the Spring in Nan-tasarion! 

And I said that was good. 

I wondered in Summer in the elm-woods of Ossiriand. 

Ah! the light and the music in the Summer by the Seven Rivers of Ossir! 

And I thought that was best. 

To the beeches of Neldoreth I came in the Autumn. 

Ah! the gold and the red and the sighing of leaves in the Autumn in Taur-na-neldor! 

It was more than my desire. 

To the pine-trees upon the highland of Dorthonion I climbed in the Winter. 

Ah! the wind and the whiteness and the black branches of Winter upon Orod-na-Thôn! 

My voice went up and sang in the sky. 

And now all those lands lie under the wave, 

And I walk in Ambaro ‘na, in Tauremorna, in Aldalo ‘me .., 

Im my own land, in the country of Fangorn, 

Where the roots are long, 

And the years lie thicker than the leaves 

In Tauremornalo ‘me .. . 


Nos salgueirais de Tasarinan caminhei na Primavera. 

Ah! a paisagem e o perfume da Primavera em Nan-tasarion! 

E falei que isso era bom. 

Passeei no Verão entre os olmeiros de Ossiriand. 

Ah! a luz e a música no Verão junto aos sete rios de Ossir! 

E pensei que isso era melhor. 

Às faias de Neldoreth cheguei no Outono. 

Ah! o ouro e o rubro e o rumor das folhas no Outono em Taur-na-neldor! 

Era mais que o meu desejo. 

Aos pinheiros do planalto de Dorthonion subi no Inverno. 

Ah! o vento e o alvor e os negros ramos do Inverno em Orod-na-Thôn! 

Minha voz se ergueu e cantou no céu. 

E agora todas essas terras jazem sob as ondas, 

E caminho em Ambaróna, em Tauremorna, em Aldalómë, 

Em minha própria terra, no país de Fangorn, 

Onde as raízes são longas, 

E os anos jazem mais espessos que as folhas 

Em Taurermornalómë. 


Canto de Barbárvore 

Página 697



👨🏾‍💻 Dados Técnicos


Título original: The Lord Of The Rings – The Two Towers

Tradução: Ronaldo Kyrmse

Ano de lançamento do original: 1954

Ano de lançamento desta edição: 2019

Editora original: George Allen & Unwin

Editora desta edição: Harper Collins Brasil

Rio de Janeiro 

1ª Edição

464 páginas


✍🏾Sinopse


O segundo volume de O Senhor dos Anéis, mais importante épico de fantasia moderno, narra os caminhos separados seguidos pelos membros da Sociedade do Anel em sua luta para deter Sauron, o Senhor Sombrio da terra de Mordor, e destruir o Um Anel, no qual está contida a maior parte do poder do tirano demoníaco imaginado por J.R.R. Tolkien.

Um ataque-surpresa pôs fim à jornada conjunta da Sociedade do Anel. De um lado, o trio formado pelo elfo Legolas, pelo anão Gimli e por Aragorn, herdeiro da realeza dos Homens, tenta resgatar os jovens hobbits Merry e Pippin, capturados por guerreiros-órquicos. A busca pelos companheiros perdidos levará os três a confrontar os cavaleiros do reino de Rohan e o mago renegado Saruman, que também deseja o Um Anel para si.

Enquanto isso, do outro lado das montanhas, Frodo e Sam buscam uma maneira de entrar em Mordor e chegar até a montanha onde o Anel foi forjado, único lugar onde é possível destruí-lo. Para isso, acabam recebendo a ajuda de seu mais improvável aliado: Gollum, a criatura que chegou a ter o Anel sob seu poder durante centenas de anos e que ainda é devorada, em corpo e alma, pelo desejo de voltar a possuí-lo.

Com cenas que mesclam o heroico e o intimista, o sublime e o cômico, As Duas Torres abriga algumas das criações mais inesquecíveis da imaginação de J.R.R. Tolkien, como os gigantescos Ents e a cultura nobre e belicosa do povo de Rohan.


⚖️Créditos da Sinopse: Amazon Brasil




Inomináveis Saudações a todas e a todos vós, Seres Do Mundo! 

A Primeira Parte de O Senhor Dos Anéis, A Sociedade Do Anel, contém os Livros I e II da Saga. As Duas Torres traz os Livros III e IV, sendo O Retorno Do Rei, composto pelos Livros V e VI a conclusão do maior momento histórico da Terceira Era da Terra Média neles narrado. Diferente do que muitas pessoas ainda pensam, Tolkien não dividiu os livros como se fossem parte de uma Trilogia, cada um faz parte de um só Tomo que foi preciso dividir por questões editoriais ou outras motivos que ainda não estou informado. O fato é que denominá-los como Trilogia Literária, como eu fiz na Resenha de A Sociedade, tornou-se algo popular entre os leitores por causa da forma clássica deles serem, na maioria das vezes, publicados pelo mundo. A Harper Collins, que vem maravilhosamente publicando as obras concernentes ao Universo Tolkieniano em nosso país, no ano passado lançou aqui no Brasil uma segunda Edição Única de um trabalho que ela havia feito em 2021, mas de forma diferente. Algo mais feito por causa da Série da Prime Video (que ainda não assisti) Os Anéis De Poder, criando um hiperlink entre esta e o texto de Tolkien com seus Apêndices, a qual pode ser útil a quem não quer comprar o Box com os três livros (o que não é o meu caso; mas, a Edição mais completa da obra, o primeiro Volume Única, com ilustrações de Alan Lee, da mesma Editora, me interessa e entra agora para a minha LONGA Lista De Desejos da Amazon…). Me contento com o que tenho em minha Biblioteca e amo cada um dos três livros.

Nesta Segunda Parte, há os efeitos dos acontecimentos que se deram no Volume anterior em vários graus de visões e perspectivas.  O nome desta divisão de O Senhor Dos Anéis refere-se a Minas Morgul e Orthanc, as Torres que são as habitações das duas maiores Forças Adversárias da Paz, do Bem e da Liberdade na Terra Média. Minas Morgul é onde habitam os Nâzgul e antes de cair nas mãos dos asseclas maiores do Inimigo, ela pertencia aos Reis de Gondor e no ano de 2002 da Terceira Era, no Reinado de Earnil I, foi conquistada. Como parte de Gondor, ela era conhecida como Minas Ithil (Torre da Lua), sendo por tal motivo totalmente branca. Já Orthanc, em Isengard, região de Rohan, onde habita Saruman, é totalmente negra e era uma propriedade do Reino de Gondor antes da chegada dele. Mesmo sendo uma parte de Rohan, Isengard era admitida como uma fortaleza do Reino de Gondor e o Regente Beren, no ano de 2763 da Terceira Era, permitiu que Saruman habitasse a Torre e se tornasse o proprietário dela. É curioso da parte de Tolkien o uso das cores que, tradicionalmente, são referidas como representativas dos Conceitos de Bem (O Branco) e do Mal (O Negro) como as constituintes do aspecto externo de duas Torres pertencentes a Seres de natureza malévola. O único contraste entre as Duas Torres está na pintura, o interior delas, assim como o interior e o exterior de seus possessores, é O Mal em seu Estado mais opressor, autoritário, intransigente e estrangulador daquelas e daqueles que são por ele atacados. 

As perdas de Boromir e de Gandalf, tanto quanto o afastamento dos Hobbits, obrigam Aragorn, Legolas e Gimli a efetuarem uma busca pelos pequenos companheiros. É nessa pequena jornada que eles se deparam com os Cavaleiros de Rohan, Reino da Terra Média governado por Theóden, sendo interpelados por Éomer, Terceiro Marechal da Marca-dos-Cavaleiros. Aqueles que buscavam, Merry e Pippin, escaparam dos Orques que os capturaram no livro anterior e adentraram na densa Floresta de Fangorn, onde tiveram um belo encontro com Bárbarvore e os Ents. Frodo e Sam, rumando sozinhos em direção a Mordor, conheceram a figura mais complexa e curiosa de toda a Saga, Smeágol, que passa a conduzi-los com segundas intenções relacionadas ao Anel como aqueles e os leitores são dados a identificar claramente. Em As Duas Torres, temos um desfile de fatos e personagens muito diferentes entre si, com cada um tendo uma específica relevância e importância. Éowyn, Língua-de-Cobra, Faramir, Laracna… Mas, o que mais me chamaram a atenção e a admiração são Barbárvore e os Ents. 

Raça Ancestral no mundo onde está localizada a Terra Média, os Ents são colossais Árvores Vivas com Voz, Vontade, Presença, Sabedoria e o Direito Eterno de estarem presentes naquele como todos os demais habitantes. Oriundos da Aurora Do Mundo irradiado por Tolkien nas páginas de O Senhor Dos Anéis, elevam para um patamar mais fantástico e admirável a narrativa como um todo. Entre todos os personagens da Saga, é bem difícil da minha parte escolher um favorito, mas o Barbárvore, o Ent Mais Antigo e uma espécie de Líder de todos os demais, é o candidato mais forte em minha preferência. Todo impactante não apenas em aparência, ele carrega toda uma História de incontáveis anos e em seu subterrâneo possui todo o Poderio do Alto Conhecimento que apenas A Verdadeira Sabedoria permite manifestar-se em um Ser. Gigante na estatura e na dignidade, nos objetivos e na Divindade (o que me parece ser o mais próximo de uma identificação da minha parte sobre o que ele É), ele é o principal construtor da Queda de Orthanc e de seu Senhor, Saruman. Este, um inimigo dele e de todos os Ents por ter ordenado que os Orques e os Trolls a serviço dele devastassem grande parte de Fangorn para que a madeira alimentasse as necessidades da Torre Negra em Isengard. 

Ameaçando todos os lados da Terra Média e se erguendo como uma oposição, com interesses próprios, a Sauron, tudo que ocorre com Saruman é bem merecido. Sob seu jugo, Rohan foi um alvo de sua traiçoeira conduta, fazendo Língua-de-Cobra enfeitiçar o Rei Théoden com conselhos e artifícios materiais que ao mesmo enfraqueceram fisicamente. Liberto do arauto de seu inimigo, Théoden rejuvenesce e marcha em direção a Isengard na intenção de confrontar o Mago Traidor, estando em companhia de Gandalf. Este, que reaparecera diante de Aragorn, Gimli e Legolas, agora como O Branco, o que Saruman “deveria ter sido” (palavras dele), conta que conseguir vencer o Balrog, mas não dá detalhes do que ocorreu com ele após este evento antes de ser resgatado pelo Povo Élfico de Lórien. Seu Papel no livro, junto com Barbárvore e os Ents, é o de livrar a Terra Média de uma segunda Grande Ameaça cobiçosa do posto de Senhor Sombrio. E Saruman, diante da ação de duas Forças Ancestrais Irresistíveis, cai, perdendo a posse de uma Palantír, a lendária Pedra Dos Reis que concede Ver tudo que ocorre em todas as direções da Terra Média, por obra afobada de Língua-de-Cobra. 

Saruman foi muito cego, pretensioso e arrogante ao subestimar tanto em demasia, logisticamente falando, todos os quais desafiou com sua traição. Ele não calculou bem nada do que propôs para si, cego que estava pelo Anel e fez mau uso da própria capacidade intelectual que um dia o capacitou como o Líder do Conselho Branco, o Conselho Dos Magos. Único com o Conhecimento mais amplo sobre o modo como o Um Anel foi forjado e o mais Sábio entre os Magos, caiu em Decadência Total quando, em seu coração, fez nascer a chama ambiciosa por um Poder que às suas Origens, idênticas às de Gandalf, não estava ligado. No fim, ele não era mais O Branco e nem O Colorido, muito menos se aproxima de ser um Cinzento; Nada é o que o mais brilhante dos Sábios Senhores Arcanos que caminharam no solo da Terra Média se tornou. Gandalf não comemorou a Queda dele e é bem notório perceber nas palavras dele antes e depois de confrontá-lo na Torre que decepção, tristeza, pesar e mágoa em relação ao antigo aliado são transmitidos. Nunca esteve próximo a Saruman um momento de ascensão como sucessor de Sauron, que o deixou delirar com tal impossibilidade apenas observando-o com seu Olhar Fulminante de longe. Aquele que um dia foi um Rei Mágicko se tornou um Mendigo Aprisionado na própria Torre que escolheu como habitação. Mas, a história dele não acaba aqui e nem como é mostrada na adaptação cinematográfica, o que se vê em O Retorno Do Rei. 

A caminhada de Frodo e Sam ao lado de Smeágol é fascinante, com diversos tons e modos se tivermos vários olhares sobre ela. Como disse acima, os dois Hobbits em nada confiam no estranhíssimo Ser, mas precisam dele para chegar em segurança no coração de Mordor. Porque apenas Smeágol conhece as entradas e saídas, os caminhos e os atalhos, das Ephel Dúath, as Montanhas de Sombra, na direção que leva até Orodruin. Psicologicamente destroçado e inconveniente, Smeágol nos dá a oportunidade de conhecer a mente de alguém que foi escravo do Um Anel, durante 479 anos (2463-2942) da Terceira Era, até o mesmo abandoná-lo em favor de atrair para si Bilbo. O Laço com o Anel Dos Anéis, que o manteve vivo por tanto tempo e destroçou-lhe fisicamente, explica o fato dele ter permanecido vivo outros 76 anos até que o Um Anel desse-lhe o destino ao qual escolheu submeter-se. Por mais doloroso que chega a ser presenciar o estado dele, ao ponto de fazer-me até ter certa piedade, não há como torcer por alguém como ele que cometeu muitas atrocidades em conluio com uma amiga que fez nos subterrâneos de Ephel Dúath. Mais traiçoeiro do que qualquer outro personagem em toda a história, Smeágol atrai os Hobbits, que a certa altura quase estavam mesmo confiantes nele e salvaram-no de ser morto pelos soldados de Faramir (filho de Denethor e irmão de Boromir), quando este os reteve, para Laracna. Uma Criatura Ancestral, terror dos Orques que habitam as Montanhas mais próximas ao Planalto de Gorgoroth, tão antiga ou mais quanto Barbárvore. Um monstro inimaginável para o contexto de mundo de Frodo e Sam, mas que não representa um perigo tão grande quanto o rastejante, fugidio e doentio Smeágol. 

Como nos Livros anteriores, o Livro IV termina com pontas abrindo o esquema das situações e fatores que determinarão o todo da Parte III desta Saga. Gandalf parte para Gondor em Scadufax tendo Pippin a tiracolo, que se deu muito mal ao, curioso, acessar os Mistérios da Palantír. Frodo e Sam, após escaparem da Teia de Laracna, se encontram em uma situação muito perigosa, com o segundo tendo que tomar uma decisão de ser mais pró-ativo para poder salvar o primeiro, que fora capturado por Orcs nas proximidades da Torre de Cirith Ungol. Quase uma Essência Esquecida, Sauron Olha por cima de tudo e de todos, buscando o Um Anel e ignorante de que o mesmo está tão perto dele. Em O Retorno Do Rei, a próxima Resenha, a mais épica conclusão de um livro desta natureza grandiosa que já li será a tônica das minhas palavras. 

Saudações Inomináveis a todas e a todos vós, Seres Do Mundo!


J. R. R. Tolkien 










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