EPISÓDIO DE HOJE — COLLEGE: Quando OS SOPRANOS mostraram até onde a TV podia ir

 

Na minha opinião (e de muitos outros fãs) existe um momento muito específico em que a televisão percebeu que nunca mais seria a mesma. Não foi uma explosão, nem um final de temporada chocante. Foi um sujeito de meia-idade, levando a filha para visitar faculdades… e estrangulando um homem no meio da viagem.

Parece absurdo? Pois foi exatamente esse contraste que fez “College”, episódio da primeira temporada da FAMÍLIA SOPRANO, entrar para a história. Em pouco menos de uma hora, a série conseguiu transformar um mafioso assassino em alguém estranhamente humano — e fez milhões de espectadores perceberem, talvez pela primeira vez, que estavam torcendo por alguém que definitivamente não deveriam admirar.


Episódio de Hoje” é aquele cantinho nostálgico reservado para revisitar episódios de séries que fizeram mais do que apenas entreter. São capítulos que mudaram a forma como enxergávamos televisão, personagens, narrativa… ou simplesmente nos deixaram encarando os créditos finais pensando: “ok… isso foi diferente”.

Família Soprano

Criada por David Chase, "The Sopranos" acompanha a vida de Tony Soprano (James Gandolfini), um mafioso ítalo-americano de Nova Jersey que depois de uma crise de pânico, procura ajuda profissional. É a Dra. Jennifer Melfi (Lorraine Bracco) quem o ajuda a lidar com os problemas e "negócios da família". 

Enquanto administra extorsões, assassinatos e guerras entre famílias mafiosas, Tony também precisa lidar com filhos adolescentes, crises conjugais, ataques de ansiedade e sessões de terapia.

Basicamente:
O Poderoso Chefão encontra crise de meia-idade.

E, por incrível que pareça, funciona absurdamente bem.

NAFTASÉRIE... A FAMILIA SOPRANO

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" College " é o quinto episódio da primeira temporada e foi ao ar em 1999. Na época, muita gente ainda via séries dramáticas como algo relativamente “seguro”. Sim, existiam personagens complicados, mas normalmente a televisão deixava claro quem era o herói e quem era o vilão.

Então chegou Tony Soprano...e nunca mais as coisas foram iguais.

No episódio, Tony leva Meadow, sua filha, para visitar universidades. Durante a viagem, ela começa a questionar discretamente as ligações do pai com a Máfia. Nada muito explícito… mas o desconforto está no ar o tempo inteiro.

Só que Tony reconhece um homem escondido sob nova identidade: Fabian “Febby” Petrulio, um ex-mafioso que virou delator.

E aí a viagem universitária vira uma caçada.

O mais impressionante não é o assassinato em si. Séries policiais já mostravam mortes antes disso. O problema — ou genialidade — está em COMO a cena funciona.

Tony não mata num acesso de fúria.
Não é legítima defesa.
Não é acidente.

Ele simplesmente decide matar.

E a série não tenta “limpar” isso para o público.

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Hoje estamos acostumados com personagens moralmente duvidosos:
  • Walter White (Breaking Bad);
  • Dexter Morgan (DEXTER);
  • Don Draper (MAD MEN);
  • "Vic" Mackey (The Shield).
A verdade é que atualmente, boa parte dos protagonistas carregam algum grau de podridão emocional.

Mas, na minha opinião, o divisor de águas foi “College” que abriu essa porta.

Antes disso, executivos de TV tinham medo de mostrar um protagonista principal cometendo assassinato frio e calculado. Havia receio de que o público rejeitasse o personagem imediatamente.

Só que aconteceu o contrário.

As pessoas ficaram ainda mais fascinadas por Tony Soprano.

Porque o episódio faz algo perigosamente eficiente:
ele mostra Tony sendo carismático, engraçado, afetuoso com Meadow… e monstruoso ao mesmo tempo.

A televisão percebeu naquele instante que personagens podiam ser profundamente humanos sem serem moralmente bons.

E isso mudou tudo.

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Grande parte da força do episódio está na relação entre Tony e Meadow.
Ela ainda quer acreditar que o pai é “normal”.
Mas já sabe demais para sustentar completamente essa fantasia.

A genialidade do roteiro está nos silêncios.
Nos olhares.
Nas respostas tortas.
Na forma como Meadow percebe que certas perguntas talvez não devam ser feitas.

É quase um ritual de passagem:
a perda definitiva da inocência.


Paralelamente, Carmela Soprano recebe a visita do Padre Phil.

E aqui Os Sopranos mostra outro de seus talentos: transformar situações aparentemente banais em puro desconforto psicológico.

Os dois comem, bebem vinho, conversam sobre religião, culpa e casamento… enquanto a tensão emocional cresce num nível quase constrangedor.

É uma sequência brilhante porque escancara uma das maiores ironias da série:
todo mundo ali tenta justificar moralmente seus próprios desejos.

Inclusive os religiosos.


Muitos fãs gostam dos primeiros episódios da Família Soprano.

Mas “College” costuma ser lembrado como o momento em que a série realmente revelou sua identidade.

Foi ali que ficou claro que:

  • Tony não seria suavizado;

  • a série não faria julgamentos fáceis;

  • e o público seria desafiado constantemente.

Em outras palavras:
não era apenas uma série sobre mafiosos.

Era uma série sobre contradições humanas.

E talvez seja exatamente por isso que ela continua tão atual.


Curiosidades 

  • O episódio foi exibido originalmente em fevereiro de 1999.

  • É frequentemente listado entre os maiores episódios da história da televisão.

  • Muitos críticos consideram “College” um dos capítulos responsáveis pela chamada “Era de Ouro da TV”.

  • O episódio praticamente virou material obrigatório em cursos sobre roteiro televisivo.

  • James Gandolfini entrega aqui uma das atuações mais importantes de toda sua carreira.


Mesmo depois de tantos anos, “College” continua moderno, desconfortável e absurdamente eficiente. É o tipo de episódio que parece simples na superfície… até você perceber que está assistindo ao nascimento da televisão contemporânea.

Porque depois de Tony Soprano…

… a TV nunca mais teve heróis certinhos.


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