EPISÓDIO DE HOJE — COLLEGE: Quando OS SOPRANOS mostraram até onde a TV podia ir
Parece absurdo? Pois foi exatamente esse contraste que fez “College”, episódio da primeira temporada da FAMÍLIA SOPRANO, entrar para a história. Em pouco menos de uma hora, a série conseguiu transformar um mafioso assassino em alguém estranhamente humano — e fez milhões de espectadores perceberem, talvez pela primeira vez, que estavam torcendo por alguém que definitivamente não deveriam admirar.
Família Soprano
Criada por David Chase, "The Sopranos" acompanha a vida de Tony Soprano (James Gandolfini), um mafioso ítalo-americano de Nova Jersey que depois de uma crise de pânico, procura ajuda profissional. É a Dra. Jennifer Melfi (Lorraine Bracco) quem o ajuda a lidar com os problemas e "negócios da família".
Enquanto administra extorsões, assassinatos e guerras entre famílias mafiosas, Tony também precisa lidar com filhos adolescentes, crises conjugais, ataques de ansiedade e sessões de terapia.
E, por incrível que pareça, funciona absurdamente bem.
NAFTASÉRIE... A FAMILIA SOPRANO
Então chegou Tony Soprano...e nunca mais as coisas foram iguais.
No episódio, Tony leva Meadow, sua filha, para visitar universidades. Durante a viagem, ela começa a questionar discretamente as ligações do pai com a Máfia. Nada muito explícito… mas o desconforto está no ar o tempo inteiro.
Só que Tony reconhece um homem escondido sob nova identidade: Fabian “Febby” Petrulio, um ex-mafioso que virou delator.
E aí a viagem universitária vira uma caçada.
O mais impressionante não é o assassinato em si. Séries policiais já mostravam mortes antes disso. O problema — ou genialidade — está em COMO a cena funciona.
Ele simplesmente decide matar.
E a série não tenta “limpar” isso para o público.
- Walter White (Breaking Bad);
- Dexter Morgan (DEXTER);
- Don Draper (MAD MEN);
- "Vic" Mackey (The Shield).
Mas, na minha opinião, o divisor de águas foi “College” que abriu essa porta.
Antes disso, executivos de TV tinham medo de mostrar um protagonista principal cometendo assassinato frio e calculado. Havia receio de que o público rejeitasse o personagem imediatamente.
Só que aconteceu o contrário.
As pessoas ficaram ainda mais fascinadas por Tony Soprano.
A televisão percebeu naquele instante que personagens podiam ser profundamente humanos sem serem moralmente bons.
E isso mudou tudo.
E aqui Os Sopranos mostra outro de seus talentos: transformar situações aparentemente banais em puro desconforto psicológico.
Os dois comem, bebem vinho, conversam sobre religião, culpa e casamento… enquanto a tensão emocional cresce num nível quase constrangedor.
É uma sequência brilhante porque escancara uma das maiores ironias da série:
todo mundo ali tenta justificar moralmente seus próprios desejos.
Inclusive os religiosos.
Mas “College” costuma ser lembrado como o momento em que a série realmente revelou sua identidade.
Foi ali que ficou claro que:
Tony não seria suavizado;
a série não faria julgamentos fáceis;
e o público seria desafiado constantemente.
Era uma série sobre contradições humanas.
E talvez seja exatamente por isso que ela continua tão atual.
Curiosidades
O episódio foi exibido originalmente em fevereiro de 1999.
É frequentemente listado entre os maiores episódios da história da televisão.
Muitos críticos consideram “College” um dos capítulos responsáveis pela chamada “Era de Ouro da TV”.
O episódio praticamente virou material obrigatório em cursos sobre roteiro televisivo.
James Gandolfini entrega aqui uma das atuações mais importantes de toda sua carreira.
Porque depois de Tony Soprano…
… a TV nunca mais teve heróis certinhos.
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