PAPO DE CINEMA - VAN DAMME TENTA A 'PRIMEIRA DIVISÃO... MAS FALHA!
O ator Jean-Claude Van Damme tem uma legião de fãs espalhados pelo mundo, especialmente aqui no Brasil. Durante muitos anos ele tentou 'mudar de liga', sair do time de 'segundo escalão' e entrar na seleta lista dos atores e atrizes de 'primeira divisão', aqueles que recebem milhões por filmes e conseguem os melhores projetos. Nossa matéria relembra algumas destas tentativas e convida você, fã (ou não), a relembrar conosco. Vamos lá?
Depois de ler nossa introdução, você pode estar pensando: "Mas os filmes de Van Damme eram campeões de bilheteria!" Sim, de fato eram... mas no Brasil. Nos EUA, seus filmes eram chamados 'B' e estreavam em poucas telas ou eram lançados diretamente em vídeo.
No Brasil, os filmes do belga eram sua maior bilheteria! Tanto que o lançamento de "Morte Súbita" foi primeiro no Brasil; ele veio até aqui para lançar o filme e nos deu aquela vergonhosa participação no 'Programa do Gugu', onde estava visivelmente alterado pelo álcool ou por substâncias químicas ilegais....
Enfim, ele tentou sair da 'segunda divisão' para a primeira... E se esforçou para isto, como veremos a seguir...
PRIMEIRA TENTATIVA...1993
O filme era "O Alvo". Van Damme, teve neste filme a chance de fazer algo mais 'estilizado', fora dos padrões do que havia feito até aquele momento. Algo diferente para os americanos. Nesta época, havia um diretor na China que estava no 'topo', fazendo filmes elogiados e de grande bilheteria; estamos nos referindo a John Woo.
A Universal Pictures resolveu 'importar' o diretor para que ele desse seu 'toque' pessoal no filme. Os que conhecem John Woo sabem que ele gosta de câmeras lentas, pombos levantando voo e o clássico confronto dos antagonistas com as armas, um no rosto do outro… Mas Woo quería como protagonista... Kurt Russel! Mas o ator estava envolvido com outros projetos e o filme acabou com Van Damme como a Universal queria desde o começo...
O roteiro do filme é interessante: um grupo de homens organiza safáris humanos nas cidades. Uma delas foi Nova Orleans. Os alvos escolhidos eram sempre ex-combatentes (para dificultar a coisa). Uma fortuna era entregue para a pessoa (que era sempre um sem teto e sem família), e ela deveria atravessar a cidade até um certo local. Se chegasse vivo, o dinheiro seria dele.
Só que o homem que vemos ser morto no início do filme, tinha uma filha. E ela está à sua procura. É quando encontra Chance Bondreaux (Van Damme), um estivador sem trabalho que por acaso era um ex-soldado das forças especiais (como em 101% dos filmes), e o contrata para ajudá-la. Claro que Chance acaba 'esbarrando' com o grupo de caçadores e a pancadaria começa...
O filme custou um pouco mais de 19 milhões de dólares (não considera os valores gastos na promoção) e teve uma bilheteria de US$ 74,2 milhões. Parece bom, mas US$ 41 milhões de dólares foram fora dos EUA e o valor arrecadado internamente não o torna um filme rentável pelo número de telas em que esteve em exibição. Ele ficou em terceiro lugar depois de "O Fugitivo" com Harrison Ford e "Dois Espiões e um Bebê" com Dennis Quaid (!!).
Os críticos acharam que, como filme de ação, é bem feito, mas Van Damme tem sérias limitações na interpretação. Assisti a vários filmes de Van Damme e, de fato, ele é limitado e ainda exige que apareçam os glúteos, que seja dado foco nos músculos peitorais e nos das pernas. Além da luta interminável no final... Escalar Lance Henriksen, a meu ver, foi uma má escolha, apesar do ator surpreendentemente ter ganho um prêmio com o papel...
SEGUNDA TENTATIVA...1994
"Time Cop - o Guardião do Tempo". Este foi o filme que mais o aproximou de seu objetivo. É seu filme de maior bilheteria dentro dos EUA. Foi dirigido por Peter Hyams e se baseia em uma história em quadrinhos criada por Mark Verheiden e desenhada por Ron Randal e publicada pela Dark House Comics.
O filme gira em torno de um agente da polícia... do tempo! O agente é Max Walker (Van Damme); sua função (assim como a dos outros agentes) é prender algumas pessoas que praticam crimes em outras épocas. Esta atividade pode causar um desastre temporal, caso afete algum fato histórico importante.
Acontece que um político (Ron Silver) resolve usar o conhecimento que ele tem sobre a história e ajudar a si mesmo no passado, a usar esta vantagem para ser bem-sucedido na política e chegar à presidência do país!! Seus planos vão bem, até que o intrometido do Max Walker interfira. Isto acaba por gerar os acontecimentos do início do filme...
O filme custou 28 milhões e teve uma bilheteria de 102 milhões. Sem dúvida, é um dos mais bem produzidos de Van Damme, contudo alguns vícios do ator estão lá: a interminável luta final, o espacato, etc. E o roteiro acaba atrapalhando a si próprio, quando quebra a regra estabelecida por ele mesmo sobre não alterar o passado (saiba mais clicando aqui). O filme tem 60% de aprovação no IMDB, mas não foi o suficiente para elevar o status de Van Damme devido à sua escolha de projetos posteriores...
Terceira tentativa...1995
O filme era: "MORTE SÚBITA", o filme do helicóptero no estádio de hóquei… O telhado do estádio era retrátil e isto deu a ideia a um dos produtores de fazer um filme de ação com um helicóptero caindo por lá. Quem teve a ideia foi a esposa do dono do time de hóquei Penguins. O filme "Time Cop" teve uma boa recepção, então por que mudar? Van Damme repete o diretor: Peter Hyams, queria que se tornassem uma dupla.
Van Damme desta vez é um bombeiro, Darren McCord, que leva sua filha para assistir às finais de um campeonato de hóquei. O vice-presidente estaria lá. A princípio, Van Damme não usaria as artes marciais, faria um 'cara comum', sem treinamento. Mas esta ideia se dissolve, durante o transcorrer do filme. Como o vice-presidente estava lá, alguns terroristas acharam que seria a oportunidade perfeita para ganharem dinheiro ameaçando a vida de todos no estádio...Darren não aceitou bem a ideia....
Para o papel de McCord foram considerados Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone e Bruce Willis; os três recusaram por diferentes razões. Sobrou então para Van Damme ser o protagonista. O filme custou 35 milhões e teve bilheteria de 64,4 milhões, sendo 44 milhões fora dos EUA... Péssimo resultado para o ator.
O que deu errado?...
Van Damme!! Sim, o próprio ator estragou tudo...Primeiro pelo hábito pouco aceitável de ingerir substâncias químicas e ilícitas...Segundo por causa da vaidade. O ator vivia insistindo que os diretores dessem closes em seus bíceps e outros músculos... Terceiro, o hábito de 'mexer no roteiro'. Todo final de seus filmes (desde "O Grande Dragão Branco") tinha de ter aquela quase interminável luta final...
Quarto, seu comportamento durante as filmagens. John Woo, no aniversário de 25 anos de "O Alvo", disse que Van Damme ficava tratando de outros trabalhos durante as filmagens! Todo mundo tinha de esperar ele terminar a conversa para dar continuidade ao que estava para ser feito!
Esta atitude começou a cansar os estúdios, os diretores, os colegas de trabalho e sua carreira foi 'de ladeira abaixo'…Para se ter uma ideia seu próximo filme foi "Street Fighter - A Batalha", que diga-se de passagem, não é digno nem de ser citado...
Depois disto, os filmes do ex-astro passaram a ser lançados diretamente em vídeo. O declínio agora era irreversível. Alguns diretores de outros países começaram a convida-lo para fazer filmes e depois de algum tempo, não sei se ele foi 'apadrinhado' ou 'apadrinhou' o ator Scott Adkins, o que sei, é que passaram a fazer filmes juntos, inclusive "Os Mercenários 2".
Em "Os Mercenários 2", Van Damme fazia o papel de 'Jean Vilain' (João Vilão), e Adkins seu braço direito Hector... Scott Adkins também fez "O Alvo 2", que eu nem sabia que existia....
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Cacilda, essa matéria me fez relembrar um nome que nem me lembrava mais: Ron Silver.
ResponderExcluirPara mim não importa se é de primeira ou segunda divisão. Quando se assiste a um filme do seu gosto pessoal, os números na bilheteria são de menos.
ResponderExcluirAcontece o mesmo comigo. A matéria apenas expõe algo que o ator tentou durante anos sem conseguir. Ele próprio acabou com sua carreira, uma pena. Mas escolhas...
ExcluirConcordo! Quando se assiste a um filme de gosto pessoal, de fato a bilheteria é o de menos.
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