Papo de Cinema: QUO VADIS (1951)


Neste PAPO DE CINEMA vamos retornar a década de 50 e revisitar mais um dos marcantes épicos produzidos naquele período. O clássico da vez é: QUO VADIS? Um estrondoso sucesso de bilheteira, tendo sido o mais rentável filme de 1951. Mas, o filme também se destaca de muitas outras formas, desde a força da sua história, da competência de seu elenco de estrelas, às imagens de Roma. Não bastasse isso, ainda temos sequências inesquecíveis como a do incêndio de Roma e o martírio dos cristãos na arena. Sem dúvida alguma, uma superprodução que  não podemos esquecer. Então, sem mais delongas, avance e divirta-se com muitas informações e curiosidades. Boa leitura!

SINOPSE: Após três anos em campanha, o general Marcus Vinicius (Robert Taylor) retorna à Roma e encontra Lygia (Deborah Kerr), por quem se apaixona. Ela é uma cristã e não quer nenhum envolvimento com um guerreiro, mas apesar de ter sido criada como romana Lygia é a filha adotiva de um general aposentado e, teoricamente, uma refém de Roma. Marcus procura o imperador Nero (Peter Ustinov) para que ela lhe seja dada pelos serviços que ele fez. Lygia se ressente, mas de alguma forma se apaixona por Marcus. Enquanto isso as atrocidades de Nero são cada vez mais ultrajantes. Quando ele queima Roma e culpa os cristãos, Marcus salva Lygia e a família dela. Nero captura os todos os cristãos e os atira aos leões, mas no final Marcus, Lygia e o cristianismo prevalecerão.

Título original: QUO VADIS
Produção/Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); 
País: EUA; 
Ano: 1951; 
Duração: 167 minutos; 
Estreia: 8 de Novembro de 1951 (EUA) e em 25 de fevereiro de 1952 (Brasil)
Direção: Mervyn LeRoy
Produção: Sam Zimbalist 
Roteiro: John Lee Mahin, S.N. Behrman, Sonya Levien [baseado no romance homónimo de Henryk Sienkiewicz] 
Música: Miklós Rózsa 
Fotografia: Robert Surtees, William V. Skall [By Technicolor] 
Montagem: Ralph E. Winters 
Direção Artística: William A. Horning, Cedric Gibbons, Edward C. Carfagno 
Cenários: Hugh Hunt, Elso Valentini
Figurinos: Herschel McCoy
Caracterização: Charles E. Parker 
Efeitos Especiais: Tom Howard, A. Arnold Gillespie, Donald Jahraus 
Coreografia: Marta Obolensky, Auriel Millos 
Diretor de Produção: Henry Henigson.
Elenco
 - Robert Taylor.... Marcus Vinícius
 - Deborah Kerr.... Lígia
 - Leo Genn.... Petrônio
 - Peter Ustinov.... Nero
 - Patricia Laffan.... Popeia
 - Finlay Currie.... Pedro
 - Abraham Sofaer.... Paulo
 - Marina Berti.... Eunice
 - Buddy Baer.... Ursus
 - Felix Aylmer.... Aulo Pláucio
 - Nora Swinburne.... Pompônia
 - Ralph Truman.... Tigelino
 - Norman Wooland.... Nerva
 - Sophia Loren.... escrava de Lígia
 - Elizabeth Taylor.... cristã prisioneira na arena
 - Walter Pidgeon.... narrador (voz)
 - Carlo Vicente Pedersoli (Bud Spencer)....Guarda Romano
Orçamento: US$ 7,6 milhões
Bilheteria:   US$ 21 milhões

QUO VADIS (1951), uma das grandes superproduções da MGM, é considerado o precursor de épicos religiosos que percorreram quase que toda década de 1950 até meados da década seguinte, produções como: "David e Bethsaba" (1951); "O Manto Sagrado" (1953), e sua sequência "Demétrius e os Gladiadores" (1954); "O Cálice Sagrado"(1954); "O Filho Pródigo"(1955); "Os Dez Mandamentos"(1956); "Ben-Hur"(1959); "Rei dos Reis"(1961) e entre outros, "Barrabás"(1962). De modo geral, QUO VADIS é uma obra digna e séria, dos melhores do gênero, com um fascinante retrato da corte de Nero e do ódio das massas contra os cristãos. 


Principais prêmios e indicações

Oscar 1952 (EUA)

Indicado nas categorias de melhor filme, melhor fotografia colorida, melhor figurino colorido, melhor ator coadjuvante (Leo Genn e Peter Ustinov), melhor direção de arte colorida, melhor montagem e melhor trilha sonora original de filme dramático ou comédia.

Globo de Ouro 1952 (EUA)

Venceu nas categorias de melhor ator coadjuvante (Peter Ustinov) e melhor fotografia colorida.
Indicado na categoria de melhor filme - drama.


CURIOSIDADES:

  • QUO VADIS (no original polonês: "Quo Vadis: Powieść z czasów Nerona") é um romance do escritor polaco Henryk Sienkiewicz (1846-1916), ambientado na Roma Imperial, à época de Nero, e que tem por tema a perseguição que se abateu sobre os cristãos, após o Grande Incêndio de Roma.O livro foi publicado, originalmente, em 1895.
  • O escritor Henryk Sienkiewicz (Henryk Adam Aleksander Pius Oszyk-Sienkiewicz ) é considerado um dos mais brilhantes escritores da segunda metade do século XIX, chegando a ser galardoado com o prêmio Nobel de Literatura de 1905.  Curiosamente, foi um dos sócios correspondentes da Academia Brasileira de Letras.
  • O título do livro ( e de suas adaptações) remete a expressão em latim: Quo Vadis? que significa: Aonde vais?. A expressão vem originalmente da passagem bíblica onde Jesus Cristo diz: «E agora vou para Aquele que Me enviou; e nenhum de vós Me pergunta: Aonde vais?» (João 16:5). Outrossim, também há uma estória da tradição católica registrada em livros apócrifos, segundo a qual, Jesus teria aparecido a Pedro, no momento em que este deixava Roma para escapar à perseguição de Nero, e quando indagado pelo apóstolo: "Aonde vais, Senhor?", respondeu-lhe: "Já que abandonas o meu povo, vou a Roma para ser crucificado, outra vez".
  • A personagem Lygia era da Polônia, região chamada pelos antigos romanos de Lygia.
  • Adaptações cinematográficas do romance de Sienkiewicz:
Quo Vadis, filme francês (mudo) de 1901
Quo Vadis, filme italiano (mudo) de 1912.
Quo Vadis, filme italiano (mudo) de 1925.
Quo Vadis, filme estadunidense de 1951.
Quo Vadis, filme italiano de 1985.
Quo Vadis, filme polonês de 2001.

  • A MGM iniciou as filmagens em 1949, tendo John Huston como diretor. Porém, Louis B. Mayer, ultra conservador, considerou que o diretor estava fazendo das cenas de perseguição aos cristão uma analogia com a caça aos comunistas em Hollywood, durante o período do macarthismo.  Huston, que já filmava na Itália, foi demitido. O roteiro foi reescrito e Mervin LeRoy assumiu a direção.
  • Lygia e Marcus Vinicius, no filme de Huston, seriam interpretados por Gregory Peck e Elizabeth Taylor. Depois, com a troca de diretor, foram substituídos por Robert Taylor e Deborah Kerr.
  • O filme de 1951 contou com 32.000 (trinta e dois mil) figurantes. Alguns deles, ficariam famosos posteriormente. Sophia Loren e sua mãe, Romilda Vilanni, Bud. Spencer (que fez figuração, como um guarda pessoal de Nero), Adrienne Corri, em começo de carreira, interpretou umas das cristãs na arena dos leões. Já Al Ferguson e Helena Makowska, antigos astros do cinema mudo, também trabalharam como figurantes. Mas a figurante mais famosa do elenco de extras é sem duvida Elizabeth Taylor. A atriz que havia sido demitida da produção, estava de férias na Itália, e foi visitar as filmagens. Ela achou engraçado fazer figuração, e o diretor Mervin LeRoy acatou a ideia.


  • Buddy Baer, o fiel Ursus, o protetor de Lygia que luta contra o touro para salvá-la na Arena, era lutador de boxe profissional, antes de se tornar ator. Ele era irmão do também lutador Max Baer, e é tio do ator Max Baer Jr., O Jetrho da série A Família Buscapé.
  • O veterano Walter Pidgeon é o narrador do filme, mas não foi creditado pelo trabalho. No elenco do filme ainda Finlay Currie, como São Pedro e Marina Berti, como Eunice.
  • Outro problema ocorrido durante as filmagens, foi que os leões não queriam sair das jaulas, devido ao excesso de calor que fazia nos dias de filmagens. A solução para os animais saírem foi espalhar carne crua pelo chão da arena, para atraí-los.
  • Nas filmagens da versão de 1924, um dos leões atacou e matou o figurante Augusto Palombi. E apesar de a versão de 1951 não ter nenhum incidente grave envolvendo os leões, as cenas dos animais mastigando a carne foi considerada muito violenta pela censura, que classificou o filme apenas para maiores de 18 anos. Para não perder público, a MGM reeditou o filme após a pré-estreia, removendo algumas cenas, para obter certificação livre.
  • Considerado o maior orçamento da MGM até então, o filme gastou US$ 7 milhões e, supostamente, esse alto custo teria sido a gota d´água e causado a demissão do icônico chefe de produção Louis B. Mayer. Porém, o filme fez um enorme sucesso, sendo a maior bilheteria do cinema de 1951, e salvando o estúdio da falência. 
  • Miklós Rózsa, compositor da trilha indicada ao Oscar compôs a Marcha de Galba usando trechos de antigas melodias romanas. Ele usaria a música novamente na trilha de Ben-Hur (1959), na abertura da cena da corrida das bigas.
  • Quo Vadis também teve outras versões cinematográficas posteriores. Em 1985 virou uma minissérie, tendo Klaus Maria Brandaur, Max Von Sydow e Francesco Quinn como protagonistas e em 2001 foi adaptado em um filme Polonês, considerada a versão mais próxima ao romance original.
  • No Brasil, a obra foi encenada no teatro diversas vezes, e adaptada também para o rádio outras tantas. Em 1940, foi irradiada no rádio dentro do Programa do Casé, na Radio Mayrink Veiga (no Rio de Janeiro) e em 1944 foi transmitida pela Rádio Difusora de São Paulo. Dirigida por Octávio Gabus Mendes, esta adaptação é hoje famosa por revelar a jovem atriz Lia Borges, mais tarde conhecida como Lia de Aguiar. O elenco ainda trazia: Cacilda Becker, Dayse Fonseca e o então menino, Cassiano Gabus Mendes, filho de Octávio, na época, com 14 anos de idade.

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