Por Trás dos Quadrinhos | THE MAXX (1993)



Se você é fã de quadrinhos e viveu os anos 90 com um gibi debaixo do braço e a cabeça cheia de mundos estranhos, THE MAXX provavelmente ainda mora em algum canto da sua memória. Criado por Sam Kieth em 1993, o personagem surgiu como um soco visual e emocional em meio à explosão dos quadrinhos independentes: sombrio, confuso, poético e completamente fora do padrão. Entre becos urbanos carregados de angústia e uma Austrália onírica habitada por criaturas simbólicas, The Maxx nunca foi apenas um “herói” — era um retrato fragmentado da mente humana.

E como se os quadrinhos não fossem ousados o suficiente, o personagem ainda ganhou uma versão animada exibida pela MTV, reforçando seu status cult ao levar aquela estética crua e perturbadora para a televisão. Mais de três décadas depois, revisitar The Maxx é revisitar uma época em que a cultura pop se permitia ser estranha, intensa e profundamente autoral. Nesta viagem nostálgica, vamos relembrar por que esse anti-herói roxo, brutal e vulnerável marcou uma geração — e continua intrigando até hoje.

Maxx é um super-herói de garras amarelas e máscara púrpura que vive numa caixa de papelão. Sua única amiga é Julie Winters, uma assistente social freelance. Maxx sempre se encontra em transição entre o mundo real e um mundo selvagem mais primitivo onde ele reina e protege Julie. Sr. Gone, um auto proclamado “estudante das artes místicas” parece saber mais sobre Maxx e Julie, e a estranha relação dos dois que nem os dois imaginam, mas ele não irá revelar tudo… não agora.

The Maxx é um misto de ação e suspense psicológico non-sense, materializando em caricaturas físicas e "reais" os desafios e entraves psicológicos enfrentados por todos no dia-a-dia. A série é uma verdadeira metáfora materializada, mostrando os personagens Maxx e Julie enfrentando seus medos e receios em confrontos físicos frontais cheios de ação. Muitos classificam a HQ como uma pequena obra-prima da psicanálise, nos mostrando através de metáforas visuais o processo de passagem da infância para a maturidade da própria psique humana em Julie, e a identificação de Maxx, que é a encarnação da força e da fraqueza de Julie. Em Julie, Maxx é a encarnação de nossas acomodações em nossos medos, é o gigante que protege, mas nos atrapalha - enfraquece; mas que por comodidade nunca expulsamos de casa, e, assim como Julie, nunca o conhecemos a fundo. The Maxx é uma criação de Sam Keith.


The Maxx (1993)

The Maxx foi criado por Sam Kieth e lançado em 1993 pela Image Comics, num momento em que a editora ainda era muito associada a heróis musculosos, ação exagerada e estética “anos 90”. O quadrinho surgiu justamente como um contraponto a isso.

Sam Kieth já era conhecido por seu trabalho visual bem fora do padrão, especialmente em:

  • The Sandman (DC/Vertigo), onde desenhou arcos como Preludes & Nocturnes

  • Batman: Secrets

Com The Maxx, Kieth teve algo que ele raramente tinha tido antes: controle criativo total. A série nasceu como uma obra altamente pessoal, quase terapêutica, explorando temas psicológicos, traumas, identidade e dissociação — tudo embalado num “disfarce” de história de super-herói.

THE MAXX: A ANIMAÇÃO (MTV)




“A maioria de nós habita pelo menos dois mundos: o mundo real, onde estamos à mercê da circunstância; e o mundo interior, o inconsciente, um lugar seguro onde podemos escapar. O Maxx alterna entre estes mundos contra sua vontade. Aqui, sem teto, ele vive em uma caixa em um beco. A única que realmente cuida dele é Julie Winters, uma assistente social freelancer. Mas em Pangeia, o outro mundo, ele governa o Outback e é o protetor de Julie, sua Rainha da Selva. Lá, ele cuida dela. Mas ele sempre acaba de volta no mundo real.” - Introdução, narrada pelo antagonista Sr. Gone.

SINOPSE: Seu protagonista, "the Maxx", é um super-herói mascarado que luta entre o mundo real e uma espécie de mundo dos sonhos, "Pangea", para proteger uma jovem chamada Julie Winters. No mundo real, Julie é uma assistente social autônoma que frequentemente ajuda Maxx a sair da prisão sob fiança. No mundo de fantasia de Pangea, entretanto, a personalidade de Julie se manifesta como a "Leopard Queen" (Rainha Leopardo), uma criação de seu subconsciente que Maxx também deve proteger de um assassino em série onisciente, o Sr. Gone

A história em quadrinhos, estrelada pelo herói de pele roxa, gerou uma série animada de 13 episódios na MTV, que foi ao ar originalmente de abril a junho de 1995.

No Brasil, a série foi exibida na MTV e na Locomotion, também tendo um lançamento em VHS. Na MTV, estreou no fim de 1995 e teve sua exibição com legendas, assim como o VHS lançado em 1996. Já na Locomotion, a série foi exibida a partir de 1999 até 2002 e, dessa vez, com dublagem.



Curiosidades 

  • 🟣 A série foi planejada com começo, meio e fim, algo raro nas editoras da época, principalmente na Image.

  • 🟣 Sam Kieth já comentou em entrevistas que The Maxx é menos um super-herói e mais um avatar emocional — uma parte da psique criada para proteger Julie. (Importante: The Maxx não é Julie, nem um simples alter ego clássico. Ele é uma entidade protetora moldada pela percepção distorcida do trauma dela. Essa ambiguidade é intencional e nunca é completamente “resolvida” na série.)

  • 🟣 O sucesso inesperado levou à animação da MTV (MTV’s The Maxx, 1995), que manteve o tom psicológico e experimental — algo incomum para animações ocidentais do período.

  • 🟣 Sam Kieth escreveu The Maxx durante um período pessoalmente difícil, o que explica o tom confessional da obra.

  • 🟣 Muitos leitores só perceberam o quanto a série fala sobre abuso e trauma anos depois, ao relerem a obra com mais maturidade.

  • 🟣 Kieth recusou diversas tentativas de “normalizar” o personagem para torná-lo mais comercial.

  • 🟣 Diferente de outros personagens da Image, The Maxx nunca foi pensado como franquia, mas como uma obra fechada.

  • 🟣 Visualmente, The Maxx tem influências de: expressionismo (distorção emocional da forma), quadrinhos underground dos anos 70 e 80 e de artistas como Egon Schiele (figuras angulosas, desconfortáveis)

  • 🟣 O traço “feio”, quebrado e instável de Kieth é proposital — ele reforça o estado mental fragmentado dos personagens.


BÔNUS: The Maxx - Volume 1 - 1993 A 1998 (35 Edições)




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