PAPO DE CINEMA | Blue

 



👨🏽‍💻Dados Técnicos


Japão 

2002

Cor

116 minutos

Idioma: Japonês 

Título original: ブルー, Burū

Direção: Hiroshi Ando

Roteiro: Yuka Honcho 

Baseado no Mangá de mesmo nome da Autoria de  Kiriko Nananan

Elenco: Mikako Ichikawa (Kayako Kirishima), Manami Konishi (Masami Endo), Asami Imajuku (Mieko Nakano), Ayano Nakamura (Chika Watanabe), Yoko Hirayama (Sumida Emiko), Ayaka Ota (Ayana Murai), Sosuke Takaoka (Mizuuchi Manabu), Tasuku Amagishi (Atsushi Kirishima)

Produção: Dai Miyazaki, Blue Production Partnership, Omega Micott Inc., Eisei Gekijo e Kobi Co.

Cinematografia: Kazuhiro Suzuki

Edição: Nobuko Tomita

Música: Otomo Yoshihide


✍🏽Sinopse


Kayako Kirishima, da terceira série do Ensino Médio, sente uma sensação de isolamento na vida escolar e uma vaga admiração e inquietação no futuro. Um dia, ela faz amizade com Masami Endo, que está isolada porque permaneceu na mesma classe por mais um ano. Kayako é fortemente atraída por Endo que mostra a ela um mundo que ela não conhecia.

 

⚖️Créditos da Sinopse: Cine Asian Space




Inomináveis Saudações a todas e todos vós, Povo do Memória!

Na delicadeza das ondas do mar, no âmbito próprio do que cada uma traz ao coração das protagonistas, Blue se caracteriza carregado de uma sensibilidade grandiosa que é trabalhada com Sublime delicadeza. As paisagens litorâneas de Niigata e Takaoka (Prefeitura de Toyama), onde o filme foi realizado, contribuem como uma natural linguagem que torna tudo no filme uma muito rica romântica abordagem de um relacionamento entre duas mulheres muito diferentes. O Diretor Hiroshi Ando imprimiu, dentro da lentidão própria de um filme japonês sem pressa alguma para entregar uma história, um lirismo que poucas vezes vi em filmes enfocando relacionamentos lésbicos. Tudo nesta obra é  muito lindo, suave e simples como filmes de Amor sem apelação devem ser. Gostei das duas Atrizes em seus respectivos desenvolvimentos das essências daquelas que interpretaram.

O Amor da Kayako Kirishima de Mikako Ichikawa e a Masami Endo de Manami Konishi narrado está de um modo perfeito, não tenho como apontar uma falha ou um exagero ou qualquer tipo de aspecto que possa causar estranheza dentro do Enredo. A falta mesmo de um apelo sexual transbordante, entre o Erótico e o quase Pornográfico de filmes românticos que abordam muito este aspecto, tende a fazer com que aqui se tenha espaço para as metragens e profundidades do Sentimento. Porque O Amor, conforme eu denomino em muitos poemas e textos como O Verdadeiro Amor, não é um contexto apenas de beijos de língua, trocas de suor, penetrações e todo jogo das necessidades sexuais. Querer ficar ao lado de alguém sempre, sentindo o cheiro da pele dessa pessoa; ouvindo o tom de sua voz bem perto do ouvido; aproveitando o calor dela apenas mantendo um abraço apertado na cama; passear com ela em lugares que são Reflexos de algum Paraíso; e fazer o coração bater de um modo diferente quando se pensa nela, muitas vezes é mais recompensador do que excessos e estripulias sexuais gigantes.

Rendendo muito mais tendo como foco central uma grande pureza e inocência nas cenas íntimas das personagens, Blue tem muito mais a dar. Há uma melancolia aberta a todos que assistirem-no desde que logo no início se conectem com a proposta desta obra ser uma ode ao que o coração dita acima de qualquer reflexão e repressão interna. Kirishima e Endo, sem medo, naturalmente, vão da amizade inicial ao relacionamento amoroso como um poema construído através das entrelinhas das horas em todas as pequenas e grandes histórias diárias. Elas contam uma para a outra, apenas com o olhar, as narrações do que trazem dentro de si. No entanto, Kirishima é a mais sincera porque Endo ainda está presa a um relacionamento passado que muito mal lhe fez. Há uma ruptura momentânea entre elas por causa disto, porém como é O Amor o Verdadeiro Protagonista do romântico enredo aqui Resenhado, ele faz com que tudo seja abandonado como uma ocorrência passada que não interfere no Futuro. Sempre no filme há a impressão também de uma angústia e tristeza muito grande, vinda de Kirishima, características que apenas fazem-na crescer como Mulher e Ser Humano.

O encontro com Endo fez Kirishima mudar sua atitude diante do mundo. Antes sendo apática, introvertida e isolada por vontade própria, ela se espelhou nos gostos pessoais da amiga e namorada para encontrar uma vocação oculta em uma  Deusa sempre a todos disponível: A Arte. Durante o processo da passageira ruptura que tiveram, ela se concentrou em si mesma, buscou inspiração em formas simples e compensou todo o tempo de sua anterior vida antes de Endo se propondo a desenvolver um talento artístico para a Pintura que ela desconhecia. O Amor é isto, uma chance dada pelo Destino para que as pessoas melhorem em amplos sentidos o seu estar-no-mundo e viver-no-mundo. A sempre sorridente, positiva e simpática Endo proporcionou à sua companheira um misto de Visões e Ações que internamente evoluíram para uma completíssima forma de transformação dela. Mesmo pouco se doando, ela acrescentou cor e vigor, sabor e frescor, ao cimento do engessado mundo de Kirishima e a fez libertar-se das muralhas das limitações criadas por ela mesma rumo a uma nova atitude para com A Vida. 

Sendo daquele tipo de filme que com muita facilidade cativa pela simplicidade e uma poética atmosfera alimentada pela bela paisagem, Blue agrada pelas excelentes escolhas de toda a produção. Citei muito acima a Poesia e o Roteiro é praticamente um poema romântico narrando uma sintonia de duas mulheres uma com a outra. O elo forte sendo Kirishima e o elo não tão seguro sobre o que fazia, Endo. Mesmo dentro desta configuração, as duas se complementam e entendem como o que na visão popular se entende como a concordância de almas gêmeas. E o azul do mar recita um poema visual junto com o azul do céu, uma composição de alquímica feição estruturando toda uma história que motiva a acreditar no Grande Poder do Verdadeiro Amor. O que para alguns pode ser piegas e ultrapassado, sim; mas, aquelas e aqueles que ainda tem a crônica capacidade de romantizar suas amorosas realidades importam-se com opiniões contrárias, escárnio e deboche?

Obviamente, não, elas e eles se jogam de cabeça. Assim como, no fim, Endo se jogou de cabeça e se uniu a Kirishima, que a ela entregara a própria alma. E o mais do filme narrado se encontra nas estrofes de um constante azul dos românticos sonhos e realidades que diretamente transbordam de dentro do filme para o coração do espectador. Como um poeta nada romântico que escreve poemas românticos, paradoxalmente, Blue acrescentou-me muito mais do que assistir um filme. Em mais um, entrei e misturei Ficção com Realidade e o Cotidiano nosso nesta Resenha, algo que também faço e continuarei fazendo em outras Resenhas. Porque não sou de dissociar as histórias que assimilo das convivências e vivências que se sucedem nos meus caminhos. Sendo mais um filme que eu adorei assistir, ele está em mim sendo guardado com inominável carinho. E nos cantos mais profundos do meu coração. 

E no azul da poesia que ao Verdadeiro Amor faz deste filme uma obra de arte cuja Alma é toda uma sentença para Verdadeira Vida. Isto vós entendereis apenas ao final do filme, leitores virtuais. Ou não, pois está no final uma mensagem somente para quem cultiva no coração muitos jardins florescendo. Para estes, a história de Kirishima e Endo é alta expressão de uma realidade possível na nossa Realidade. Todos podem assistir a este filme, contudo apenas aos mais sensíveis ele dirá o que eu nesta Resenha escrevi aqui, mesmo com outras palavras. 

É o Cinema mostrando que ainda está vivo. 

O Verdadeiro Cinema.

Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Povo do Memória!


Hiroshi Ando
























































































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