PAPO DE CINEMA | Solomon’s Perjury - Part 2: Judgement



 👨🏾‍💻 Dados Técnicos


Japão 

Cor

2015

146 min.

Título Original: ソロモンの偽証 前篇・事件

Título Romanizado: Soromon no gishou 

Título em Inglês: Solomon’s Perjury Part 2: Judgement

Gênero: Drama

Adaptação do livro homônimo escrito por Miyuki Miyabe

Direção: Izuru Narushima

Roteiro: Manabe Katsuhiko

Elenco: Ryoko Fujino (Ryoko Fujino), Machiko Ono (Ryoko Fujino adulta), Mizuki Itagaki (Kazuhiko Kanbara), Anna Ishii (Juri Miyake), Hiroya Shimizu (Shunji Oide), Miu Tomita (Matsuko Asai), Koki Maeda (Kenichi Noda), Ayumu Mochizuki (Takuya Kashiwagi), Reika Nishihata (Mariko Kurata), Jiei Wakabayashi (Yukio Sakisaka), Naritada Nishimura (Kosei Inoue), Mikio Kato (Yutaro Hashida), Arata Ishikawa (Mitsuru Iguchi), Haru Kuroki (Emiko Moriuki), Hiromi Nagasaku (Mirai Miyake), Yui Natsukawa (Kuniko Fujino), Kuranosuke Sasaki (Tsuyoshi Fujino), Fumiyo Kohinata (Masao Tsuzaki), Sotaro Tanaka (Mogi Etsuo), Yutaka Matsushige (Kitao), Tamae Ando (Takagi), Houka Kinoshita (Kusuyama),  Hajime Inoue (Okano), Miho Nakanishi (Osaki), Tomoko Tabata (Reiko Sasaki), Muga Tsukaji (Yohei Asai), Nobue Iketani (Toshie Asai),  Miwako Ichikawa (Minae Kakiuchi), Manabu Hamada (Norifumi Kakiuchi), Yuya Takagawa (Masaru Oide), Noriko Eguchi (Sachiko Oide),  Ichirota  Miyakawa (Noriyuki Kashiwagi), Yoko Moriguchi (Ayumi Kanbara), Masahiro Tsugawa (Shuzo Kobayashi), Kyusaku Shimada (Ryosuke Kono), Kimiko Yo (Motoko Ueno), Hiroshi Okochi (Tsutomu Konno), Yuto Muguruma (Kazutoshi Takeda), Kokoro Morita (Noriko Kamata), Miyu Enomoto (Yayoi Mizoguchi), Karen Iwata (Saori Kawahara), Matsuri Miyatake (Maiko Hayashida), Yuna Taira (Saeko Mizukawa), Yuki Tanii (Motoki Yoshikawa), Emi Wanibushi (Professora), Keita Arai (Professor)

Idioma: Japonês


✍🏾 Sinopse


Anos após concluir seus estudos, Ryoko Fujino retorna a sua antiga escola, mas agora como Professora. Ela relata para a Diretora do colégio, como aos 14 anos juntamente com um grupo de alunos, organizou um tribunal para investigar a verdadeira causa da morte de um colega de classe, que faleceu em escusas circunstâncias.

 

⚖️Créditos da Sinopse: Cine Asian Space 









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Inomináveis Saudações a todas e todos vós, Povo do Memória!

Nesta quinta-feira concluo minha análise crítica deste grande drama japonês dividido em dois filmes. E quando falo de grandiosidade referente a esta obra, me refiro a um conjunto de fatores-chaves que explanarei abaixo sem entregar qualquer tipo de Spoiler. Lembrando sempre aos poucos que me lêem da necessidade de buscarem por si mesmos as conclusões sobre uma obra que Resenho aqui e lhes interesse assistir. Não sou Senhor Supremo ou Autoridade Crítica Absoluta como muito YouTuber chinfrim que fica postando vídeos e vídeos e vídeos com arrogância, petulância e vaidade pura. Procuro ser o mais simples e direto, oferecendo uma visão bastante pessoal nascida do quanto me toca no coração o que eu assisto.

Aos 06 de março de 2023, terminei uma Maratona de Filmes no falecido blog Cine Asian Space com obras que Resenharei aqui, em O Mundo Inominável e no futuro novo Projeto C.O.V.A. - Blog. Terminei a mesma na madrugada daquele dia com mais esta obra-prima, que junto com o primeiro filme trata-se de algo demasiadamente peculiar e bastante cerebral (enfatizo isto de novo, como fiz na Resenha anterior, porque o filme demanda muito de movimentos acelerados e concentrados dos mecanismos cerebrais mais corretos), o que acaba mesmo por afastar o grande público acostumado com blockbusters. É algo tão bem realizado e escrito que nem se percebe a passagem do tempo, os dois filmes parecem se prolongar mais do que as duas horas de cada um deles. Ryuko Fujino e Anna Ishii, para mim, são as melhores Atrizes do elenco, elas são extremamente talentosas, naturais e muito bem treinadas na Arte da Interpretação. No geral, todo o elenco atua muitíssimo bem, principalmente o Ayumu Mochizuki interpretando o Takuya Kashiwagi e o Mizuki Itagaki como Kazuhiko Kanbara. E até o Hiroya Shimizu atua bem neste filme, o Diretor do mesmo fez um milagre porque das outras vezes que o vi atuando (exceto em Misumisou e The World Of Kanako) ele é uma verdadeira pedra sem outra expressão a não ser uma cara de paisagem estática absorta em distâncias longas de qualquer pensamento longe do trabalho interpretativo dele.

No Julgamento em si, feito pelos alunos na escola, mesmo contra a vontade de quase todos os Professores e outros adultos que eram pais de alunos, não houve uma exibição, através das falas de Juiz (Kosei Inoue, interpretado com bastante gravidade por Naritada Nishimura), Promotora (Ryoko) e Advogado de Defesa (Kazuhiko), de grandes conhecimentos jurídicos ao nível de Pós-Doutores em Direito Criminal. Seria até surreal se alunos do Ensino Médio, que porventura não são Gênios de elevadíssima estatura intelectual, proferissem os insossos e quase ininteligíveis (para o espectador comum e até, na vida real, para quem assiste Julgamentos em Tribunais) jargões utilizados em eventos jurídicos daquela natureza. Os alunos estudaram o básico, esforçaram-se em atingir um certo nível de conhecimento de como se portarem em um Tribunal e somente isso tornou bastante natural a coesão de toda a coerência da sequência do maior momento desta obra. Algo assim foi feito porque a Direção De Atores funcionou aqui com extremismo e cada um dos que interpretavam os estudantes deram tudo de si, unindo coração, mente, corpo e alma na composição de algo notório, pelo menos para mim, na História do Cinema Mundial. Julgo até dizer que a tamanha simplicidade, humildade e naturalidade do Julgamento a este tornou algo marcante em demasiadas proporções, algo que raramente senti antes assistindo Filmes ou Séries que envolviam assuntos na área de Tribunais Jurídicos.

A reviravolta de proporção épica no desenvolvimento que aproximou o filme de seu clímax dá para se tornar assunto para diversas reflexões como as que levantei na Resenha da Primeira Parte. Em certa parte desta, eu escrevi que nem tudo é o que parece, verdades podem ser mentiras, mentiras podem ser verdades, em Solomon’s Perjury. E todas as verdades que eu imaginava como sendo já o meu alcance da conclusão do filme revelaram-se pó. E todas as mentiras que eu seguia como sendo possíveis caminhos para a resolução final da obra revelaram-se algo muito mais assustador e de tom realista sombrio perturbador. Não aguardem redenções ou o conceito medíocre do senso comum acerca do que seja uma "Verdadeira Justiça". Solomon’s Perjury não é sobre a "Heroína Ryoko" que acredita na culpa de Shunji Oide ou sobre o Defensor deste que se propõe a ficar do lado do aluno mais odiado da escola, o Defensor que erradamente podemos chamar de "Herói Kazuhiko". Heróis sublimes e perfeitos aqui? Vilões perversos em 100% do que sejam aqui? Não, leitores virtuais, o que poderia ser uma simplória exposição de posicionamentos morais e éticos que causa apenas sonolência passa longe de ter qualquer vida neste filme. Solomon’s Perjury é, na realidade, sobre o falecido que foi o responsável pela organização do Julgamento. Todas as perguntas e respostas estão com Takuya Kashiwagi. Todas as trevas e ruínas de uma sociedade cega para as suas podridões também estão com ele. Um personagem onipresente, onisciente e onipotente que enxergava O Todo, mesmo estando morto desde os primeiros minutos desta saga sem Heroísmo e Vilanismo típicos da "Eterna Luta do Bem contra O Mal".

Solomon’s Perjury é também sobre O Mal que assola a Sociedade Japonesa. Seria, no entanto, uma tolice redutora da minha parte falar que se resume apenas a ser uma narrativa de apenas um país em decadência estrutural. O mundo inteiro apresenta as Trevas e as Ruínas que os momentos finais do Julgamento expõem, como golpes fatais nas nossas seguranças e expectativas de "uma luz no fim de túnel". Uma luz pode ser extrema escuridão. Um túnel pode ser demolido ou desabar. Só há devastação no discurso que se apresenta e nessa devastação saídas dos lábios de um personagem central do filme há revelações que todos os adultos representados no filme fingem não saber cometendo Perjúrio diante das próprias existências sociais. Mesmo que se desloque para outros ângulos a conclusão do filme, para mim o destruidor discurso expositivo do Verdadeiro Câncer da Sociedade Mundial enfoca a Verdadeira Mensagem de Solomon’s Perjury. Não é uma Mensagem bonita. Não é uma Mensagem positiva. Não é uma Mensagem de ajuda. Não é uma Mensagem de auto-ajuda. E nem é a Mensagem que um espectador aguarda ao final de um tenso, nervoso, corajoso e honesto filme como este. Muito me atentei às duas Partes e no sintetizar de tudo que elas fizeram-me conduzir a meditar me encontrei com o que a junção delas me transmitiu. O jogo de perguntas e respostas que mencionei como parte da minha interpretação deste Conto Revelador de Humanas Cinzas não teve felizes vencedores ou destroçados perdedores. Todos perderam pelos motivos de toda a minha conclusão sobre o que assisti sem me distrair ou fugir daquela Verdadeira Mensagem.

Logo no começo desta Segunda Parte, a Ryoko Fujino adulta, na pele de Machiko Ono, demonstra na fala e no olhar a derrota plena que o meu olhar como cinéfilo percebeu em todos os envolvidos no Julgamento, incluindo os espectadores do mesmo. Ela se tornou uma lenda na escola, que, tal como a Diretora observou no começo do primeiro filme, nunca mais apresentou um caso de Bullying em suas dependências por causa daquele. Esta é a única vitória em Solomon’s Perjury no meu entendimento crítico, a pequena condescendência de um crônico pessimista, o que eu sou, inevitavelmente. As Trevas, as Ruínas e as Cinzas permaneceram fora dos muros da escola, a qual não é mencionada na fala da Diretora como um "Paraíso". A sabedoria final aqui aprendida por mim é a de que não se pode pensar que tudo sempre termine conforme queiramos porque o mundo modelado pela Humanidade anuncia uma derrota a cada milionésimos de segundos para todos nós. Os personagens deste filme são pessoas comuns com problemas comuns, alguns sendo bastante trágicos,  e ao falarmos a palavra "comum" aí é que está o problema. Ficou a impressão, para mim, na conversa da Ryoko adulta com a Diretora, o que muitos na nossa Realidade preferem fazer: ver e perceber como "comum", "corriqueiro" e "normal" a crescente queda humana no Abismo formado pelos próprios erros da Cegueira para as rachaduras da Civilização Contemporânea. O olhar adulto de Ryoko apresenta uma nítida desesperança, diferente do olhar adolescente que brilhava com o fulgor típico dessa época da existência onde tudo se anuncia esfuziante e promissor. Tudo que se apresentou no encerramento inesperado e imprevisto desta história vocês que se interessarem em assistir à mesma perceberão como uma angustiante narração do nosso próprio mundo quebrado.

Abaixo do Sol, muitos Perjúrios continuam sendo cometidos por nós, dos mais variados tipos. Por vaidade, não queremos notá-los ou anotá-los em nossos registros mentais devido a fatores que vão do desinteresse à covardia. Por vaidade,  desviamos nosso olhar, olhamos para o glamour vazio do mundo contemporâneo e fingimos uma felicidade de plástico facilmente rasgável. Por vaidade, nos entregamos ao dever de esquecer por opção o que adoece o mundo que criamos como pequenos falhos deuses de palha. Deuses como aqueles ídolos venerados por Salomão que eram apenas imaginativas mentiras modeladas pela ignorância e ilusão humanas. O maior personagem de Solomon’s Perjury faz tudo isso vir à tona e o discurso dele no momento certo desta Segunda Parte lateja profundamente em mim. Um trágico discurso. Um realista discurso. Um incômodo discurso. Um ferocíssimo discurso. Um humano discurso que dificilmente eu e todos vocês irão ouvir dos lábios de alguém que pensa que tudo é brilhante, róseo e sorridente como famílias felizes divertindo-se aos domingos em shoppings, praias, parques e demais locais de inúteis humanas distrações. O mais humano discurso que já ouvi e presenciei em um filme.

E eu não vou cometer o Perjúrio de esquecê-lo. 

Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Povo do Memória!


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Izuru Narushima

Manabe Katsuhiko































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