EPISÓDIO DE HOJE - GALERIA DO TERROR - "OLHOS" (1969) - NASCE UMA LENDA DO CINEMA!

 Com a licença de vocês, leitores, vou parafrasear o slogan de uma série bastante conhecida, mas adaptado à nossa matéria: "Todo grande DIRETOR tem um início". Nossa sessão "EPISÓDIO DE HOJE" relembra um episódio da série "GALERIA DO TERROR". Em especial, um dos segmentos do piloto que tem como título: "OLHOS". Como não damos spoilers, convidamos a todos a descobrirem dentro de nossa matéria de quem foi este início. E então, vamos lá?





É bem possível que, para muitos, o nome ROD SERLING não lembre absolutamente nada. Porém, ele foi alguém importante e marcante para a TV. Apenas para nos localizarmos, ele foi o criador da famosa série "Além da Imaginação". Esta série serviu de padrão para todas as posteriores que envolvessem antologias...


Por exemplo, Leslie Stevens, que trabalhou com ele, acabou criando a também famosa série "Quinta Dimensão", que tinha a mesma estrutura de "Além da Imaginação", mas girava em torno da ficção científica. Após o final de "Além da Imaginação", o próprio Serling criou uma nova série nos mesmos moldes chamada "GALERIA DO TERROR"...


"Galeria do Terror" estreou em 1969 e durou 3 temporadas. Suas histórias sempre envolviam uma pintura e, por trás dela, uma história de terror ou suspense. Mas o que nos interessa nesta postagem é o episódio piloto e, dentro dele especificamente, um dos segmentos ou histórias intitulado: "OLHOS".


Por que este em especial? Porque marcou a estreia na direção de ninguém menos que STEVEN SPIELBERG





EPISÓDIO DE HOJE: "OLHOS"




Steven Spielberg tinha apenas 21 anos quando foi contratado para dirigir o segmento da nova série. A história teria como protagonista Joan Crawford; apesar de já estar em fase de fim de carreira, era uma dos "monstros do cinema" da época. E por isso mesmo tinha um certo ceticismo em ser dirigida por um novato (os executivos também compartilhavam deste sentimento). 


'Bebe' Spielberg dirige Joan Crawford


A série habitualmente introduzia suas histórias apresentando um quadro. Rod Serling então apresentava o quadro e fazia uma pequena introdução do que veríamos a seguir. No caso de "Olhos", a introdução foi a seguinte: 


Objeto de arte número dois, um retrato. O sujeito, Sra. Claudia Menlo, uma rainha cega que reina em uma cobertura acarpetada na Quinta Avenida. Uma viuva imperiosa e predatória que logo encontrará uma escuridão mais negra do que a cegueira. Esta é sua história...


A história se inicia então com a chegada de um médico na torre onde reside a Sra. Menlo. Para que possamos ter uma ideia da personalidade da protagonista, o médico entra no elevador com outro homem que leva a pintura que vemos acima. O médico elogia o pintor pela semelhança que ele conseguiu impor ao quadro. Mas o artista lhe responde que não conseguiu capturar corretamente, pois faltou "captar sua crueldade"




Outro ponto que mostra que tipo de pessoa era a Sra. Menlo é que ela comprou a cobertura... e todo o resto do prédio morando sozinha em um arranha-céu. O motivo da presença do médico é que a senhora havia tomado conhecimento de uma cirurgia experimental em que se transplantavam os nervos ópticos de uma pessoa saudável para uma cega. 




O médico lhe diz que a cirurgia só havia sido testada em um cachorro e em um chimpanzé e que o  sucesso havia durado por um prazo limitado de apenas 11 a 13 horas. E que nunca havia sido realizado em um ser humano. Mas a mulher é cega desde o nascimento e desenvolveu forte ressentimento, indiferença e um sentimento amargo e cruel pelas pessoas e quer a cirurgia de qualquer forma. 




O médico lhe explica então, que a doação dos nervos ópticos significaria que o doador nunca mais voltaria a enxergar. A mulher retruca que não importa. O doutor a princípio fica hesitante, mas a mulher lhe diz que todo mundo tem um preço e ele não era diferente (no que ela tinha razão)...


O médico a questiona sobre quem aceitaria uma coisa como aquela. E até mesmo um 'voluntário' já havia sido escolhido. Um homem endividado com o jogo, aceitou a proposta de doar os nervos ópticos em troca da quitação de suas dívidas. O que é um absurdo, já que o cara era um perdedor, iria viver do quê? Ainda mais cego! 


Sim, é o Boxley de "As Panteras"...


Bem, a cirurgia é realizada à noite. A explicação do médico é que isto permitiria que a Sra. Menlo acostumasse a visão à claridade gradualmente (se funcionasse, claro!). Mas aconteceu o tipo de coisa que só acontece em seriados. Houve um apagão na cidade (!!). 




Obviamente, devido a seu temperamento, a Sra. Menlo não quis esperar o tempo certo para tirar as vendas. Mas no mesmo instante em que ela tirou, houve o apagão. Ou seja, mesmo sem as vendas ela não enxergava nada! E ele vivia só, em uma cobertura cujas bordas eram protegidas por ela ser cega. Não era possível ver lá embaixo nas ruas...


Ela queria ver as cores, as luzes da cidade, seu próprio retrato e outros objetos de arte (só conhecia a textura através do toque), só que não via nada a não ser escuridão (devemos lembrar que ela não teria o reflexo de ir à janela, por exemplo, por ter sido cega a vida toda). 


Assim, depois de quase enlouquecer achando que não havia recuperado a visão, adormeceu. Dormiu até que uma grande luz a fez acordar. Não sabendo o que era, tentou ver. Mas o prazo de 13 horas estava em seu fim e ela começou a perder a clareza do que estava vendo. A luz perde cada vez mais a intensidade. Uma escuridão vai se alojando, até que ela não veja mais nada! 


A luz que a fez acordar era a luz do Sol, que ofuscou sua visão e ela não viu nada a não ser seu fulgor...





Spielberg até tentou dar algumas sugestões de tomadas diferentes, uso de tecnologia mais avançada, mas por ser um novato ninguém lhe deu atenção e ele fez uma direção engessada aos padrões pré-estabelecidos. Crawford declarou posteriormente que ele 'tinha futuro', mas Spielberg se afastou durante um tempo dos estúdios. Mas depois dirigiu outros episódios de diferentes séries até ter a oportunidade de dirigir seu primeiro filme… para a TV. Mas isto é outra história.  



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