PAPO DE CINEMA | Riaru Onigokko

 


👨🏽‍💻Dados Técnicos


Japão 

Cor

2015

85 min.

Título original: リアル鬼ごっこ

Título em inglês: Tag

Direção & Roteiro: Sion Sono

Montagem: Junichi Ito

Baseado em

Riaru Onigokko de Yusuke Yamada

Elenco: Reina Triendl (Mitsuko), Mariko Shinoda (Keiko), Ami Tomite (Sur), Erina Mano (Izumi), Yuki Sakurai (Aki), Maryjun Takahashi (Jun), Sayaka Isoyama (Mutsuko), Takumi Saito (Aluno do Ensino Médio/Jogador)

Música: Mono

Companhia Produtora: Sedic Deux Inc.

Distribuição: Shochiku, Asmik Ace Entertainment eUniversal Pictures Japan (via NBC Universal Entertainment Japan)

Idioma: Japonês 


✍🏽Sinopse


Como a única sobrevivente de um terrível e misterioso acidente, Mitsuko, uma típica adolescente japonesa, pode dizer com segurança que seu dia começou mal.  Parece que uma força imparável da natureza, uma viagem de campo condenada e um estranho caso de amnésia podem coexistir facilmente em um universo paralelo bizarro, onde uma desesperada Mitsuko está sempre fugindo de algo inexplicável, intangível e totalmente mortal.  No entanto, isso não é tudo.  Em meio a pilhas de cadáveres frescos, montes de balas escaldantes e riachos de sangue jovem perfumado, a frágil Mitsuko deve lutar para se manter viva, antes que seu dia já confuso se torne ainda mais estranho.  Mas, a questão ainda permanece.  Quem é o inimigo?


 ⚖️Créditos da Sinopse: Cine Asian Space





Inomináveis Saudações a todas e todos vós, Povo do Memória!

A classificação do Gênero deste filme que desfila por diversos Gêneros não é algo fácil. De início, pensei se tratar apenas de um Filme de Terror Genérico com desenvolvimento Genérico e personagens Genéricos como ocorre com 99% dos filmes feitos dentro daquele Gênero. No entanto, o Drama, o Suspense, a Ficção Científica e um pouco de humor involuntário penetraram tão fortemente nele que fica difícil uma classificação certeira. Creio de modo firme que toda e qualquer classificação limite, reduza e retire tudo da originalidade de uma essência autêntica dentro de uma obra. Riaru Onigokko, que também é conhecido como Tag, não é um filme que agrade multidões, nem se torna fácil de ser compreendido porque tudo é jogado nele de modo implacável, em um acelerado ritmo de uma potência máxima de inventividade e imaginação. 

Dificílimo que um espectador médio o compreenda. Quando falo de um espectador assim, me refiro a pessoas que querem tudo mastigado dentro de um filme, tudo explicado até nos mínimos detalhes. Se você é assim, sua atuação como espectador deste inclassificável filme do genial Sion Sono será infrutífera e xingamentos sairão da sua boca para destruí-lo. Quem não está muito acostumado com experiências cinematográficas de vanguarda, o que ocorre bastante no Cinema Japonês, vai odiar este filme. Não o recomendo, portanto, para quem pensa que o Cinema de todo o planeta deva seguir o ritmo criativo dos filmes de Hollywood e aguarda apenas diversão sem qualquer grau de compromisso com qualquer forma de mensagem mais elevada. 

Riaru Onigokko é pensamento puro e abarca trilhas de entrelinhas de desenvolvimentos de diversos textos que explorem as possibilidades de interpretação da trama de Mitsuko dentro de uma prisão existencial da qual ela deve visceralmente libertar-se. A Atriz que a interpreta, Reina Triendl, é um espetáculo de expressividade, dedicação, carisma e talento, o ponto mais alto, mais firme e mais coeso do filme. Ao estabelecer um trabalho mesclando variadas emoções, sendo a principal a de um vazio existencial sufocante, ela faz de Mitsuko uma interessante personagem dentro de uma história profunda em inundantes camadas. A crescente corrida da personagem, em todos os sentidos, para entender o que ocorre e o que não ocorre se pauta nas incertezas presentes a cada instante. Para a chave de tudo, as falas de Sur, interpretada por Ami Tomite com um tom surrealista, explica o todo do filme para quem prestar bem atenção. 







"A vida é surreal.

Não deixe ela consumir você."


Antes das fundamentais frases acima, Sur põe a proposta de uma teoria explicativa de dois assuntos que, particularmente, me são muitíssimo agradáveis: O Multiverso e O Destino. Partindo para uma explicação do ocorrido com Mitsuko no início do filme, a Garota Surreal usa as alegorias da pedra lançada no lago e das penas caindo no solo. Ao lançar uma pedra na água, tudo pode mudar conforme as vibrações do impacto da mesma naquela superfície; no entanto, outra Sur pode, em um Universo Paralelo, não lançar qualquer pedra em direção a um lago e outras podem fazer, ao mesmo tempo, infinitas outras coisas em Infinitas Realidades. No ponto em que ela atirou a pedra, dentro da Realidade compartilhada com Mitsuko perto dela, algo pode ter mudado e continuará a mudar enquanto as ondas formadas na água estiverem ativas. Um simples movimento ondulatória trazendo diferentes perspectivas em diferentes pontos de vista. Uma simples atitude que pode modificar todo um Destino.

A pena, explica Sur, nunca vai deixar de cair ao solo, o que é inevitável. Assim como, expando agora a linha de raciocínio dela, a pedra sempre cairá na água por mais que se queira o contrário. Como mudar isto? Ela sugere a Mitsuko que é possível mudar o Destino de algo ou de si mesmo através da movimentação de determinadas forças internas. Não foi bem com palavras assim, mas conforme o meu entendimento da teoria desenvolvida pela personagem, posso expandir mais ainda a mesma. Pensemos juntos: nossa Realidade pode ser vista como um Game, onde temos que passar de Fase, subindo de Nível, adquirindo os itens mais corretos para o nosso desenvolvimento e movimentação pelos cenários que percorremos. Contudo, não é nada muito simples assim fazer um paralelo da nossa Realidade com um jogo de passagem de Fases por causa das determinações mesmas das Leis Físicas e Metafísicas que atrapalham nosso avanço. Dentro da Realidade do filme, que possui muitas outras Realidades, tais Leis são diferentes por causa da natureza ficcional transitando entre O Absurdo e O Surreal.





O Absurdo de cenas brutalmente desconexas no início. O Surreal de outras cenas que vão se atrelando umas às outras até tudo ser explicado no final da história. Um incomum final para um incomum filme, o qual divide opiniões e gera muita revolta de quem não entendeu nada do mesmo. Lendo comentários no YouTube, percebo que muitos recorrem ao senso comum de posicioná-lo apenas como um filme feminista com um discurso panfletário fortemente embasado. Óbvio que, sendo 99% do elenco formado apenas por mulheres, a presença do Feminino (vejam a diferença entre O Feminino e O Feminismo em pesquisas pelos dois temas, é o que lhes sugiro) se eleva acima das demais mensagens do filme. É erro apenas centralizá-lo na Questão Feminista, assim como também é um erro negar a presença de tal Questão nele. Paradoxo multiversal aqui, tanto para pedras ou penas lançadas no ar e dependendo de práticas determinações para que não caiam onde devem cair por Vontade de um Destino que pode ser modificado.

Contra o Determinismo, Mitsuko tem que lutar até encontrar toda resposta que procura. Jornada surreal (sim, é bem difícil deixar de citar este termo aqui no texto porque as contextualizações referentes ao enredo da história não se afastam dele) por pontos existenciais que se alquimizam mudando cenários, personagens e a própria personagem principal. Alquimia Espiritual transformando o vulgar metal em ouro existencial (o Existencialismo é outra poderosa marca deste filme muito diferente de 99% [uma porcentagem que se repete aqui de novo] dos filmes aos quais já assisti), separando Mitsuko das migalhas imprestáveis do Passado e apontando uma esperança de Verdadeira Liberdade no Futuro. As Fases do jogo superadas, mantendo a perspectiva da repetição se um deslize for cometido. Os Níveis maiores alcançados, mantendo a expectativa de um eterno retorno de antigas situações se uma desatenção se erguer. Branco como a neve, puro como esta, se mostra O Futuro, dependendo apenas da personagem principal uma nova continuidade em outros jogos existenciais ou a repetição dos mesmos antigos esquemas.

Parece muito complicado, leitoras e leitores virtuais?

E eu lhes disse que Riaru Onigokko é um filme fácil, por um acaso? 

Pelos simbolismos que o filme de Sion Sono (um Diretor que, cada vez mais, vou procurar conhecer melhor) tem em estrutura e organismo, vários textos ele me inspira a escrever. Porém, devo continuar com a minha Meta de Resenhar aqui neste Mundo tudo que li e assisti nos últimos três meses. Futuros textos nascerão orientados nas inspirações dialéticas que esta obra tem a me dar. Puras inspirações como a neve. Pura neve como minha única inspiração máxima ao me relacionar com o Ser desta relíquia cinematográfica de um Verdadeiro Cineasta. 

Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Povo do Memória!


Sion Sono

































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