PAPO DE CINEMA | O Homem De Lugar Nenhum
Coréia do Sul
2010
Cor
119 min.
Título em Hangul: 아저씨
Título Romanizado: Ajeossi
Romanização McCune–Reischauer: Ajŏssi
Direção & Roteiro: Lee Jeong-beom
Produção: Lee Tae-heon
Elenco: Won Bin (Cha Tae-sik), Kim Sae-ron (So-mi), Kim Hee-won (Man-seok), Kim Sung-oh (Jong-seok, irmão de Man-Seok), Kim Tae-hoon (Detetive Kim Chi-gon), Thanayong Wongtrakunl (Lum Ramrowan), Lee Do-gyeom (Criança no local de trabalho), Kim Hyo-seo (Hyo-jeong, mãe de So-mi), Lee Jong-yi (Detetive No), Song Young-chang (Oh Myung-gyu), Jo Seok-hyuon (Moon Dal-seo), Jo Jae-yoon (Jang Doo-sik), Hong So-hee (Yeon-soo), Hwang Min-ho (Nam Sung-sik), Kwak Byung-Kyu (Detetive Kim), Lee Jae-won (Du-chi)
Cinematografia: Lee Tae-yoon
Edição: Kim Sang-bum
Música: Shin Hyun-jung
Distribuição: CJ Entertainment
Idioma: Coreano
Box office: US$ 43 milhões
✍🏾 Sinopse
A única ligação que o ex-agente Cha Tae-shik tem com o resto do mundo é uma menina, Jeong So-mi, que vive nas proximidades. Sua mãe, Hyo-jeong, que é contrabandista de drogas numa organização, confia a Tae-shik todo seu produto, mas sem que ele saiba o que é. Quando os traficantes descobrem, eles sequestram Hyo-jeong e So-mi. A gangue promete libertá-los se Tae-shik fizer uma entrega para eles. No entanto, nada é tão simples quanto parece, até que o ex-agente descobre que eles estão numa enrascada.
⚖️ Créditos da Sinopse: AdoroCinema
Inomináveis Saudações a todas e todos vós, Povo do Memória!
Diversos filmes de Ação já assisti nestes meus quarenta e nove anos de idade. Filmes, alguns, dotados de uma grande qualidade que me influenciam como Escritor até hoje, com recursos narrativos sólidos que não se amparam apenas em tiros, porradas e bombas. Outros, de média qualidade, apresentando ainda assim uma boa história, apenas tem o meu carinho por terem me proporcionado minutos de tranquilidade e imersão enquanto um tipo de filme sem nenhum compromisso além de entreter. E há uma terceira lista de filmes daquele Gênero, ocupada pelos filmes tenebrosamente ruins, vazios e esquecíveis, com zero de Roteiro e que ofende a inteligências mais apuradas, o Trash do Trash do Trash, que assisti apenas por curiosidade para depois me arrepender. Ação é um Estilo Cinematográfico irregular, nem todo filme que leva em si a marca do mesmo, sendo um Blockbuster ou uma Trasheira de fim de feira, se torna uma referência e uma inspiração para cinéfilos, Diretores e Cineastas. O Homem De Lugar Nenhum é um marco do Cinema de Ação não apenas da Coréia do Sul ou do Oriente, mas do mundo inteiro, na minha opinião como cinéfilo. Encontra-se na primeira categoria dos filmes acima classificados por mim e vai um pouco mais além porque possui o que raras obras do Gênero carregam: o coração batendo altíssimo como a maior das infalíveis armas contra a crueldade humana.
Quando eu digo isto, carrego junto uma carga muito grande de referências às qualidades do Roteiro e da Direção. Enquanto hoje em dia a maioria dos filmes de Ação foca mais nas cenas bombásticas, espalhafatosas e chamativas, esta obra do ano de 2010 dá ênfase a uma história sólida muito bem desenvolvida. O que significa uma peça peculiar que envolve o espectador dentro de uma experiência muito mais ampla de imersão ao se assistir a um filme genérico deste Gênero. A trama é orgânica e traz uma carga emocional que não costumo ver em muitos filmes atuais que carregam em si a Ação como uma premissa maior. Sem querer desmerecer as demais frentes de Criação Cinematográfica do planeta, afirmo, com a total convicção de um apaixonado pelo Cinema Asiático, que apenas um filme com esta densidade poderia ter sido produzido na Coreia do Sul. De um ponto a outro que este filme seja analisado, há como perceber o imenso apuro na parte técnica, nas ambientações e no caráter em si do universo sombrio do Crime mostrado. Em certo momento, durante a metragem dele, não me senti mais como um espectador, eu realmente entrei dentro da história. Vivi cada momento de tensão e pressão com Cha Tae-sik; cada momento de dor e solidão com So-mi; e cada instante de tortura, a certa parte do filme, envolvendo a imensa crueldade da especialidade de Crime envolvida na trama com crianças retiradas da miséria. O fôlego é perdido quando a aceleração dos acontecimentos se inicia, sendo impossível ficar impassível, frio ou inerte a partir do início desse momento. Realmente, não me deparo mais com filmes portando toda esta qualidade e intensidade, dentro de uma alta carga dramática que não pesa, não torna a história piegas e nem demasiadamente sentimental. Você pode até estar achando que eu exagero com isto, mas quem conhece este filme aqui resenhado, como eu o conheço, tem uma noção parecida com a minha do brilhantismo desta obra. Não é a mera nostalgia que me leva a considerar este filme uma grandiosa construção de como um filme com cenas violentas deve ser feito: não permitindo que as situações sejam aprisionadas ao modelo da simples violência pela violência. Ao mesmo tempo fugindo da complexidade e adotando uma postura natural, a qual explica o envolvimento muitíssimo direto com o que é contado, o filme transporta a quem o assiste de coração aberto para um estilo de fazer Cinema compreendendo que o caminho de um grande filme está na busca da simplicidade.
O protagonista não é um superhumano com estoque infinito de armas e de balas ou um Ser com um dom risível de Imortalidade que escapa da morte milagrosamente por força de um pífio Roteiro. Ele é um homem que foi muitíssimo bem treinado, mas que sabe não ter um arsenal grandioso e não ser um Imortal. Pensando e pesando bem as suas ações diretas, agindo na base de uma inteligência e de um controle emocional formidáveis, seus métodos obtém resultados coesos que não deixam pontas soltas e nem dúvidas quanto a sua eficiência. Observei que o Roteirista e Diretor Lee Jeong-beom deu o máximo de si para ter uma devida verosimilhança e honestidade nas cenas de Ação e de Luta, não sendo algo corrido ou fora das proporções e nem confuso por fazer múltiplos cortes de Edição péssimos e de baixa qualidade. Os movimentos e as tomadas, os closes objetivos e subjetivos, a panorâmica e a dinâmica das atitudes marciais: tudo dentro de um limite estabelecido como o suficiente para não dar margem ao excesso que destrói grande parte dos filmes de Ação, nos quais inventivismos toscos tentam dar mais do que realidade a cenas de tiroteios, perseguições e lutas. Tecnicamente, ao se Resenhar um filme assim, o correto é apontar primeiro suas qualidades técnicas ou a falta delas ou a extrema ruindade das mesmas. Neste filme tudo funciona como uma ópera perfeita, com Som e Fotografia, Cenografia e Figurino, combinados para um efeito de continuidade sem contrastes que se desviem do foco da história. Mas, como eu acima disse, é o coração que nesta obra toma a forma da mais poderosa das armas e das técnicas de luta contra humanas atrocidades. E o coração do protagonista é a chama condutora das situações quando desperta para a necessidade de fazer algo para salvar a mais inocente das humanas vidas.
Cha Tae-shik, vivido por Won Bin com uma intensidade vívida e contundente, é um ex-agente que vive recluso, sendo dono de uma casa de penhores. Um homem que tinha tudo e perdeu tudo, o que o filme mostra a certa altura com uma cena chocante. Concentrado em si mesmo e em sua dor, tristeza e solidão, ele tem contato apenas com uma garotinha que é vizinha do apartamento dele, Jeong So-mi, vívida pela então Atriz Mirim Kim Sae-ron. Esta é uma intérprete maravilhosa, talentosa e natural em um papel sólido, demonstrando uma incrível maturidade a nível de interpretação. A ligação dos dois enriqueceu completamente o filme, um laço que ditou o ritmo da Ação e a melodia do coração tanto de um quanto do outro. Quando So-mi foi sequestrada junto com a mãe, Tae-shik se controlou para não cair em desespero e se sentiu culpado por um desagradável ato que tomara contra a menina quando fingiu não conhecê-la em uma pequena confusão na rua. Tocado pelo que ocorreu com mãe e filha, perturbado pela lembrança do que com ele ocorreu no passado, ele parte em uma missão perigosa para resgatá-las. Mas, um fato muito chocante muda tudo e o que poderia ter sido fácil para um agente bem treinado como ele se tornou uma missão alucinante de épicos volume e alma.
Este é mesmo um daqueles filmes inesquecíveis, observado do ponto de vista da intensa e vertiginosa qualidade de sua essência. Enquanto os filmes de Ação deste início de Século 21 se prendem a aspectos mais ligados ao derramamento indiscriminado e estúpido de Sangue a todo momento, sem alma e sem o objetivo maior de ser algo feito apenas para chocar, O Homem De Lugar Nenhum se equilibra bem distante dessa zona de deterioração do Gênero. É um filme com dezesseis anos de idade, mas que daqui a cento e dezesseis anos continuará sendo uma referência de como se deve realizar uma obra que fale de Crime e de Violência sem necessitar se rebaixar aos mais desnecessários exageros filmados. Muito imitado, desde então, esta obra foi; e continua sendo, com filmes que sequer alcançam-lhe a maestria, a energia, a competência e a atmosfera de um Clássico. Exatamente, este filme com um coração guerreiro em busca de uma vitória contra os perigos que rondam uma criança é, conforme o meu critério pessoal, um Clássico. Não vou estragar a sua experiência cinematográfica detalhando todo o enredo do filme, digo isto a você que não o conhece; somente posso aqui dizer que a situação na qual a So-mi se encontrou era bastante pesada e envolveu o enfoque em uma revoltante forma de desumana criminalidade, como acima mencionado. Assistam-no sem comparar com outros filmes atuais do mesmo Gênero e esqueçam as minhas palavras neste texto para que as SUAS palavras interpretem-no a partir de seus corações.
O meu coração foi conquistado por esta obra-prima à primeira vista.
Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Povo do Memória!
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| Lee Jeong-beom |
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