Falando em Série | RELIC HUNTER, CAÇADORA DE RELÍQUIAS (1999)


No fim dos anos 90 e começo dos anos 2000, existia uma fórmula quase infalível para conquistar o público da TV: aventuras exóticas, relíquias misteriosas, vilões caricatos, armadilhas impossíveis e uma protagonista carismática correndo pelos quatro cantos do planeta. Foi exatamente assim que Relic Hunter: Caçadora de Relíquias chegou ao coração de muita gente no Brasil, especialmente daqueles que passavam horas zapeando canais abertos ou a TV por assinatura nas tardes de semana.

SINOPSE: Na trama, Sydney Fox (Tia Carrere) é uma bela professora de História especializada na busca por relíquias raras e tesouros perdidos. Contratada por governos, colecionadores, políticos e até criminosos, ela viaja pelo mundo em perigosas aventuras atrás de artefatos históricos, enfrentando rivais, bandidos e inúmeros desafios pelo caminho.

Misturando o espírito aventureiro de Indiana Jones com o estilo de Tomb Raider, Sydney une inteligência, coragem, artes marciais e charme para resolver seus problemas. Ao seu lado estão Nigel Bailey (Christien Anholt), um brilhante porém medroso professor britânico, e Cláudia (Lindy Booth), sua secretária atrapalhada. Cada episódio começa com o desaparecimento ou roubo de uma relíquia e termina com a revelação do destino do artefato na Faculdade de Trindade.

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É impossível falar da série sem perceber suas inspirações. Relic Hunter claramente surfava na onda do sucesso de Indiana Jones and the Raiders of the Lost Ark e também do fenômeno Tomb Raider. Sydney Fox parecia uma mistura televisiva de Indiana Jones com Lara Croft — só que com menos poeira arqueológica e mais cabelos perfeitamente alinhados após fugir de armadilhas milenares.

E convenhamos: ninguém assistia esperando precisão histórica absoluta. A graça estava justamente no exagero. Em um episódio, Sydney estava atrás de uma espada lendária; no outro, investigava artefatos amaldiçoados escondidos em castelos, desertos ou ruínas “misteriosamente acessíveis” para qualquer turista aventureiro.

Era aquela televisão despretensiosa, divertida e confortável, feita para entreter sem exigir muito do espectador. E funcionava muito bem.

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No Brasil, a série encontrou um público extremamente fiel. Ela passou por diversos canais ao longo dos anos e virou presença constante em reprises. Para muita gente, Relic Hunter faz parte daquela memória afetiva das tardes ociosas, junto de outras produções de aventura dos anos 90 e 2000.

A série foi produzida em conjunto entre Estados Unidos, Canadá e a França, estrelada por Tia Carrere e Christien Anholt. Esteve na TV americana de 25 de setembro de 1999 até 20 de maio de 2002. Foram 66 episódios, de aproximadamente 60 minutos cada, distribuídos em 3 temporadas. No Brasil, nós a conhecemos através da Rede Record, Bandeirantes e também pelo canal AXN da TV por assinatura.

Um fator do sucesso da série: o enorme carisma de Tia Carrere. A atriz já era conhecida por trabalhos como Wayne's World, mas foi como Sydney Fox que ela se tornou um verdadeiro ícone da cultura pop televisiva para muitos fãs brasileiros.

E sejamos sinceros: boa parte do público também acompanhava religiosamente a série por motivos “puramente acadêmicos”. Afinal, a TV dos anos 2000 parecia acreditar que arqueologia era uma profissão que exigia roupas impecavelmente ajustadas em qualquer clima do planeta.

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CURIOSIDADES

  • Embora muita coisa fosse reaproveitada em estúdio, Relic Hunter utilizou locações internacionais e apostava forte no visual exótico para vender suas aventuras globais.
  • Mesmo utilizando dublês, a atriz participou de muitas sequências físicas e ajudou a transformar Sydney Fox em uma protagonista forte e extremamente ativa — algo que ajudou bastante a série a conquistar fãs.
  • Foram 66 episódios produzidos entre 1999 e 2002. Não foi um fenômeno gigantesco de audiência nos EUA, mas conquistou enorme popularidade internacional, especialmente em mercados como América Latina e Europa.
  • Os efeitos especiais modestos, os roteiros absurdamente convenientes e os vilões exagerados acabaram se tornando parte da identidade da série. E isso é justamente o que faz muitos fãs lembrarem dela com tanto carinho hoje.

Assistir Relic Hunter atualmente é quase como abrir uma cápsula do tempo da televisão do começo dos anos 2000. Existe algo incrivelmente confortável em sua simplicidade: episódios fechados, aventura leve, humor ocasional e personagens carismáticos.

Claro, algumas situações hoje parecem involuntariamente engraçadas. A facilidade com que Sydney descobria tumbas secretas milenares usando pistas absurdamente óbvias chega a ser impressionante. Em certos episódios, parece que civilizações inteiras esconderam relíquias valiosas esperando especificamente que uma professora canadense aparecesse décadas depois para encontrá-las.

Mas talvez seja justamente aí que mora o encanto da série.

Relic Hunter: Caçadora de Relíquias nunca quis ser uma obra profunda ou revolucionária. Ela queria apenas divertir — e conseguiu isso com enorme competência. Para quem viveu aquela época, continua sendo uma lembrança deliciosa de uma televisão mais simples, aventureira e despretensiosa.



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