Memória da TV: MEGAS XLR (2004) - O Robô Tunado que Transformou a Cultura Gamer em Desenho Animado
Em meio à explosão de desenhos irreverentes que dominaram o início dos anos 2000 no Cartoon Network, poucos conseguiram misturar cultura gamer, humor nonsense, robôs gigantes e referências nerds com tanta personalidade quanto Megas XLR. Para muitos brasileiros que passavam horas diante da TV assistindo ao bloco Toonami, esse desenho virou um verdadeiro símbolo de uma época em que animes, games e cultura pop começavam a se fundir no imaginário adolescente.
Criado por Jody Schaeffer e George Krstic, o projeto nasceu originalmente com o título “Lowbrow” e apareceu pela primeira vez durante um concurso promovido pelo Cartoon Network em 2002. A ideia era simples: apresentar pilotos de animações e deixar o público decidir qual delas merecia virar série. E foi justamente ali que MEGAS XLR conquistou sua primeira legião de fãs.
O desenho estreou oficialmente em 1º de maio de 2004, no lendário Toonami, bloco responsável por introduzir muitos brasileiros ao universo dos animes e da ação japonesa. Apesar do sucesso cult, a série teve vida curta: apenas duas temporadas e 26 episódios. Ainda assim, bastou isso para garantir seu lugar na memória afetiva de toda uma geração.
Um robô gigante comprado por dois dólares
No ano de 3037, a humanidade trava uma guerra desesperadora contra os alienígenas Glorfts. Para tentar mudar o futuro, a piloto militar Kiva rouba o gigantesco robô MEGAS e volta no tempo. Só que algo dá errado: o robô acaba perdido décadas antes do previsto e permanece abandonado até ser encontrado, no ano 2000, por Harold “Coop” Cooplowski.
E Coop talvez seja um dos protagonistas mais carismáticos daquela geração de desenhos. Gordinho, gamer, preguiçoso, apaixonado por carros tunados, videogames e junk food, ele parecia muito mais um adolescente comum do que um herói tradicional. Depois de comprar o robô por míseros dois dólares num ferro-velho, Coop faz o que qualquer fã de cultura automotiva faria: modifica completamente a máquina.
O resultado é um robô gigante cheio de gambiarra, comandos improvisados, som automotivo, pintura customizada e upgrades absurdos. Era como se alguém misturasse Gundam, Evangelion e cultura tuning de garagem numa única animação.
Uma carta de amor aos animes dos anos 80 e 90
MEGAS XLR nunca escondeu sua inspiração nos chamados “animes de mecha”, aqueles desenhos japoneses centrados em robôs gigantes pilotados por humanos. Só que ao invés de seguir um tom sério e dramático, a animação escolheu a paródia.
Cada episódio era recheado de referências a animes clássicos, filmes de ficção científica, videogames, tokusatsus e cultura nerd em geral. Havia piadas escondidas por toda parte, desde homenagens a Voltron até referências a Street Fighter, Final Fantasy e vários outros ícones da época.
O mais curioso é que, apesar da zoeira constante, a série entendia profundamente o material que estava homenageando. Era uma sátira feita por pessoas que claramente amavam aquele universo.
A dublagem brasileira ajudou a tornar tudo ainda melhor
No Brasil, MEGAS XLR ganhou ainda mais personalidade graças à dublagem. Coop virou “Cara”, Jamie ganhou trejeitos ainda mais engraçados e o humor ficou extremamente adaptado ao público brasileiro.
Esse era um período em que muitos desenhos exibidos no Cartoon Network recebiam localizações memoráveis, cheias de gírias, improvisos e piadas que conversavam diretamente com os adolescentes brasileiros da época. Isso ajudou a transformar MEGAS XLR em algo ainda mais especial por aqui.
Quem viveu aquela fase provavelmente lembra da sensação de chegar da escola, ligar a TV e encontrar aquele robô gigantesco destruindo metade da cidade ao som de rock, piadas nonsense e referências geeks.
Dublagem Brasileira:
Cara (Coop): Guilherme Briggs
Jaime (Jamie): Manolo Rey
Kiva (Kiva): Priscila Amorim
Gorrath (Comandante Glorft): Luiz Carlos Persy
Goat (Goat): Hamilton Ricardo
Cancelamento precoce e status cult
Mesmo muito querido pelos fãs, MEGAS XLR acabou cancelado cedo demais. Existem várias teorias sobre isso: baixa audiência, dificuldades comerciais e até questões envolvendo direitos autorais e merchandising.
Com o passar dos anos, a série ganhou status cult. Na internet, especialmente em fóruns, vídeos nostálgicos e redes sociais, muita gente passou a revisitar o desenho e reconhecer como ele estava à frente do seu tempo.
Hoje, MEGAS XLR representa perfeitamente aquela era dourada da TV a cabo dos anos 2000, quando desenhos animados podiam ser completamente caóticos, cheios de personalidade e feitos claramente para divertir tanto crianças quanto adolescentes nerds apaixonados por cultura pop.
E talvez seja justamente isso que torna o desenho tão memorável: ele não tentava ser profundo, educativo ou revolucionário. Só queria ser divertido. E conseguiu. Muito.
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Eu torço muito para que Megas XLR ganhe um revival , como aconteceu com Samurai Jack e Star Wars : A Guerra dos Clones .
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